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PORTO POSTCARDS #2

04 fevereiro 2019

Retomar o blog a uma segunda-feira. A primeira de fevereiro. Só pode ser bom presságio, não? E porque não há cidade que mais me encha o coração do que a Invicta, hoje trago-vos mais um postal do Porto. Fotografias bonitas e sugestões deliciosas. Para relembrar e apaziguar a saudade. E para vocês, que podem sempre dar algum valor às partilhas numa próxima ida à cidade. Por isso, hoje, três cafés a conhecer...


No primeiro postcard sobre a minha ida à Invicta contei-vos que tinha ido sozinha. Aproveitei uma boa combinação de horário com um par de folgas, "pedi boleia" e aproveitei a Ponte Aérea para chegar ao Porto. O primeiro dia serviu para me instalar e fazer a reportagem do sítio maravilhoso que me recebeu — o qual terá um merecido destaque nesta série de artigos — e acabei por almoçar num sítio incrível, que depressa se tornou num dos meus favoritos. De sempre. Podem rever a experiência no Mistu Restaurant por aqui. Como na noite anterior tinha dormido apenas três horas e já tinha estado a trabalhar na madrugada, acabei por recolher muito cedo (com direito a um banho de imersão delicioso) e descansar.


Isto porque tudo aquilo que eu queria era acordar bem cedo no dia seguinte. E assim foi. Dormi como há muito não dormia — uma noite longa, tranquila e relaxada. Acordei ainda antes do dia amanhecer e saí. Tinha no roteiro conhecer alguns sítios bonitos que abriram entretanto, desde a minha última ida à cidade. Sem tomar o pequeno-almoço, agasalhei-me e deixei-me levar pela aragem matinal. Durante os meses mais frios os dias são curtos; o sol nasce por volta das sete e meia e põe-se muito cedo (por volta das cinco da tarde já temos noite cerrada). Não dá muita margem para aproveitar todos os segundos do dia mas, ainda assim, dá para apaziguar as saudades que sempre ficam, visita após visita, desta cidade.



E acordar às sete da manhã a um domingo tem as suas vantagens, que nem o frio cortante da madrugada demove. Sair pela porta e encontrar o Bolhão adormecido, a Rua da Catarina sem vivalma, o comércio ainda fechado. A neblina do amanhecer adensa-se com o cheiro das fornadas acabadas de fazer e dos bolos que seguem agora para as montras recheadas das pastelarias, ainda de portas fechadas. É o ver o acordar das cidades, a sua essência genuína. É certo que as cidades também se fazem de gente. Mas nada me deixa mais feliz do que tê-las só para mim, nem que seja por breves momentos.

 
Tinha traçado um plano mental dos sítios que gostava de visitar e registar para vos trazer aqui no blog. Sabia, de antemão, que iria ser um roteiro gastronómico bem recheado. Fiz então a primeira paragem no sítio que estaria mais perto — A Brasileira

cafetaria a brasileira

Comecei a perder-me de amores pela Brasileira do Porto (pasmem-se...) no instagram, quando as partilhas da fachada e dos detalhes bonitos do espaço começaram a figurar o meu feed. Já vos contei que é [ainda] nesta app que costumo fazer as minhas pesquisas para as viagens e encontrar os melhores sítios para visitar. Pois bem, este não foi excepção. E queria encontrá-lo assim...



...Sem ninguém. Só para mim. Quando me perguntam como consigo fotografar os espaços sem as frequentes multidões — pois, é simples! — respondo que o truque é ir cedo, de preferência à abertura. Quando tal não é possível então opto por ir durante a semana e numa altura que fuja à tradicional "hora de ponta" deste tipo de espaços. Aqui não podia ter sido mais perfeito e o facto de estar sozinha acabou por me ajudar, de certa forma. 

Perdida de amores diante da fachada maravilhosa do Hotel Pestana — onde se encontra a Cafetaria A Brasileira — e por ser, provavelmente, a única pessoa na rua àquela hora a um domingo, máquina numa mão e um livro na outra, o senhor muito simpático que montava agora a esplanada convidou-me a entrar, antes de qualquer outro curioso, para que eu me pudesse resguardar do frio e fotografar o espaço à vontade. Contei-lhe um bocadinho da minha missão por lá e da minha viagem a solo e, de repente, já não estava sozinha. Estava eu, a minha vontade de fotografar tudo, o meu livro, um caffe mocca divinal e dois dedos de conversa com um desconhecido que se revelou de uma simpatia (e eficiência) imensa.


O passeio continuou... 

E apesar de o plano de fundo ser um céu cinzento e chuvoso, a cidade do Porto nunca me tinha parecido tão bonita. Aprendi, nestes dias (e ainda mais do que na Madeira), que quando nos perdemos por nossa conta num sítio acabamos por estar mais atentas, por absorver todos os detalhes, por captar a essência da cidade — e de nós próprios, já que sentimos tudo com uma maior intensidade.

Apesar da partilha de hoje ser feita com três sugestões de cafés a visitar, o segundo muito mais do que estes três espaços. Foi feito de ruas e ruelas, de fachadas e paisagens belas. Mas, para já, é nestes três espaços que me vou focar para vos inspirar.

  


café progresso

Confesso que a ideia era ter tomado um espresso n'A Brasileira e seguir para o Diplomata, para conhecer o brunch e as tão famosas panquecas. Mas a um domingo é praticamente impossível conseguir uma mesa em condições, mesmo cedo, e acabei por desistir da ideia. Continuei até encontrar o dito "café mais antigo da cidade". O Café Progresso, que também ainda não conhecia e que, apesar de bastante concorrido, ainda tinha uma ou outra mesinha. Fiquei com a que estava junto à janela, já que me ia entretendo a ver a vida correr nas ruas da cidade. Acabei por pedir um cappuccino — que um sítio destes avalia-se sempre pelo seu cappuccino (que ficou aprovado, já agora) — e uns ovos mexidos com torrada. Gostei do espaço, gostei do ambiente. Podia ter gostado um bocadinho mais do atendimento mas dei o desconto de ser domingo e de estar casa cheia. O café é, sem dúvida, o ex-libris do espaço.

P.S. Alguém me sabe dizer que ainda continua aberto?


Depois de mais umas voltas, subidas e descidas, paragens e travessias, acabei o dia no Combi Café, dentro da The Feeting Room. Este é um espaço partilhado, que fica no número 85 do Largo dos Lóios e que se divide entre uma selecção de moda, arte e cultura e, no piso de cima, apresenta ainda um dos melhores cafés de especialidade que já provei. Podem-no encontrar em alguns pontos da cidade mas este foi, de longe, o meu preferido.




combi café

Gostei, sobretudo, do espaço amplo e polivalente, da uma selecção refinada de moda (com peças lindas!), revistas selectas e o cheirinho bom a café moído acabado de fazer. Além do mais, até num dia cinzento, a luz que entra pelas grandes janelas voltadas para o largo é imensa, maravilhosa. Uma luz cheia, que enche o espaço numa só passagem e que nos convida a sentar no balcão junto à janela, curiosos com o que se vai passando lá em baixo, numa rua que agora revela exactamente aquilo que é um domingo à tarde na cidade. Pessoas que passam, famílias que passeiam, cães que brincam. Tudo isto enquanto se degusta um café óptimo, enquadrado num cappuccino delicioso.


A decoração não podia ser mais a minha cara — madeiras toscas, equipamento retro, muitas plantas — e o atendimento foi amoroso. Um serviço eficiente, jovem, próximo e feito entre sorrisos. A ter que eleger só um, este teria sido o meu sítio de eleição dos três dias pelo Porto. Entretanto lá fora começa a chover. E eu então senti-me desafiante  ali sentada, com o meu livro e o meu cappuccino, a rir-me da chuva que caía. Naquele final de domingo, não havia nenhum sítio onde gostasse mais de estar. Antes de sair aproveitei para trazer uma nova revista, que não conhecia, Hey Gents.





De facto passear à chuva num dia frio de inverno não é o plano mais agradável. Pensei então onde gostaria de ir, para me refugiar do inverno. Lembrei-me de um sítio que ainda não conhecia, apesar de já visitar o Porto há mais de seis anos — pelo menos sempre uma vez por ano! — que é o Centro Português de Fotografia. Fica situado no Largo Amor de Perdição, perto do Mosteiro de São Bento da Vitória, numa antiga prisão.


Ora aqui estava um sítio que já devia ter sido "riscado" da lista há pelo menos seis anos atrás. Um museu de entrada livre, num espaço poderoso, com imensa história por descobrir. Eu, que nada sabia sobre o espaço, o centro e a exposição, descobri três coisas:

um

Descobri que o Amor de Perdição não foi nome dado em vão ao Largo que acolhe este espaço, já que Camilo Castelo Branco esteve preso, juntamente com a sua amada, na antiga prisão.

dois

Descobri que que adoro ir a museus sozinha e que nunca me tinha deixado levar tanto pelas emoções como naquela visita. Cada história que lia, cada imagem que via, era absorvida a um nível intrínseco, de tal forma que, numa das salas, dei pelas lágrimas a caírem-me pelo rosto tal era a força das fotografias. 

três

Descobri que a vista das janelas do edifício do Centro Português de Fotografia têm uma vista incrivelmente bonita para o Douro e para a Ponte D. Luís I e que, só por isso, já vale a pena a visita. 


Espero que tenham gostado deste (re)começo, das três sugestões de café e da ideia de irem aproveitar uma tarde chuvosa a um sítio incrível. Volto em breve, com mais partilhas bonitas e com uma vontade enorme de voltar à Invicta...

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