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MANO A MANO

17 novembro 2018

Uma batalha de sabores... Já ali, na Rua do Alecrim, junto ao Cais do Sodré. É numa das zonas mais concorridas da capital que inaugura um novo espaço que nos traz um conceito inovador, num jeito irreverente e promete revolucionar o tradicional jantar à italiana a que estamos habituados. Se gostam de andar na vanguarda das novidades da cidade e são bons vivants — ou amigos de boa mesa — então a partilha de hoje é para vocês.




O duelo é-nos proposto e dificilmente conseguimos resistir. A fachada branca, pitada de fresco, o contraste do negro dos toldos e os dois fornos a lenha no interior, logo em frente à porta, são os atractivos necessários para entrarmos. Como se não bastasse a simples curiosidade de conhecer um espaço novo... 

Ainda por cima um espaço que é super giro e cheio de pormenores bonitos para fotografar. Os candeeiros originais, com design moderno e arrojado, iluminam de forma difusa a sala. Mas, em dias de sol, é a luz natural que invade o espaço e nos traz uma clareza especial, não deixando o ambiente tornar-se soturno. Deduzo que, à noite, a iluminação ligeira seja perfeita para um jantar romântico. Meninos, tomem nota.

Mas foi de dia que fomos conhecer o novíssimo Mano a Mano e digo-vos: já só quero lá voltar!



Assim que entramos somos convidados a espreitar automaticamente para os fornos a lenha que se ilustram perante nós como um cartão de visita. Sabemos que algo de muito gostoso está a ser cozinhado lá dentro, porque o cheirinho bom que se sente no ar — numa mistura de lenha, molho de tomate, queijo e especiarias — é notório. Do lado esquerdo, o bar. E é a partir daí que toda a narrativa do Mano a Mano se vai construindo. Um bar repleto de opções e emoldurado com um primeiro confronto: Vénus de Botticelli ou Monica Bellucci? Incontestavelmente diferentes mas seguramente belas. 

Estão a perceber o rumo do combate?

 


É que aqui, no Mano a Mano, o motif da experiência assenta mesmo no confronto, mesmo que seja no jogo de contrastes do mármore com a madeira, dos candeeiros industriais com as peças cerâmicas mais delicadas ou então, na frente principal, na decisão dos pratos — que, aviso já, não será nada fácil!

Em termos de decoração: o espaço é amplo e iluminado, perfeito para um almoço de negócios ou uma reunião de amigas. Mas, à noite, assume um ambiente mais à média luz, em tons quentes e torna-se perfeito para um jantar a dois. O melhor de tudo? Toda a carta é uma desenhada para uma refeição partilhada. E haverá algo melhor do que partilhar uma refeição, com a melhor companhia e os sabores mais deliciosos?




Ora bem, aqui no Mano a Mano os sabores rivalizam mas todos saem vencedores. Massa alta, como a cozinha napolitana, ou massa fina, como na cozinha romana? Queijo mozzarella ou queijo gorgonzolla? Pizza ou pasta? Vinho português ou vinho italiano? Seja como for, para ser um combate justo, o melhor é provar um pouquinho de cada... 

Numa cidade repleta de bons restaurantes (e de bons italianos), este espaço é como se fosse uma lufada de ar fresco, já que procura desmistificar a ideia de que o italiano só come pizzas ou massas. Há muito mais para além dos pratos mais conhecidos e as charcutarias, queijos e pratos quentes são o ouro do Mano a Mano.




Assim que nos sentámos, naquela mesa de mármore linda junto à janela com vista para a Rua do Alecrim e para o Tejo, foi-nos apresentada a carta. O menu, dividido entre antipasti, insalate, primi, secondi, contorni, piatti unici e dolce, era uma verdadeira tentação e evidenciava que este é um espaço de partilha, ideal para se conseguir provar um pouquinho de cada. Nós éramos só duas e tínhamos a hora de almoço um pouquinho contada, pelo que acabámos por optar pedir uma pizza e uma salada fresca para partilhar, acompanhado de duas limonadas da casa. 

Assumi que, para uma primeira experiência, tinha que provar as pizzas mas fiquei, no entanto, de olho em praticamente todos os outros pratos, como o cappelli al funghi porcini e tartufo nero ou a tagliata di manzo (entrecôte de novilho maturado a 30 dias na chapa). 

Quanto às pizzas podemos sempre escolher a base que preferimos, se romana se napolitana, e cada tipo é cozinhado num dos dois fornos específicos uma vez que a primeira massa coze a 300º e as napolianas cozinham num forno a 500º. É toda uma ciência e é disso que este restaurante também é feito. Sabedoria genuína italiana.

 


A salada era fresca, com os sabores e texturas no ponto. Tenho mesmo que vos chamar a atenção para a burrata — a melhor que já provei na vida! A pizza acabámos por pedir com massa fina e, apesar de uma combinação simples mas vencedora, conseguiu o destaque pela qualidade e frescura dos ingredientes. Para fechar com chave de ouro, também para partilhar, uma sobremesa indiscutivelmente maravilhosa. O cheesecake alla nutella avizinha ser tudo de demasiado; só que não. Os sabores estavam tão bem conjugados e a dose é servida na proporção tão equilibrada que não se torna nada enjoativa e é o culminar perfeito de uma sobremesa magistral.

um espaço de particularidades

Durante a semana temos os pratos do dia, com preços ainda mais apelativos e todos os dias um prato da carta ganha destaque na ribalta ao almoço e apresenta-se como a estrela do dia. Já ao fim-de-semana, reunir os amigos e família nunca foi tão fácil nem delicioso! A verdade é que outra das particularidades deste espaço são as propostas para partilhar. É o caso dos tabuleiros Mano a Mano que ao domingo propõem a partilha de uma lasanha alla bolognese, digna de qualquer mamma italiana. Outro ponto merecedor de destaque é a Peroniuma das cervejas italianas mais famosas, servida à pressão.

Na nossa apreciação enquanto foodies assumidas e apaixonadas por cozinha italiana, temos mesmo que mencionar a qualidade e frescura dos ingredientes. Sente-se no paladar as texturas e sabores, quer da burrata, genuína e maravilhosa, quer do molho de tomate, dos queijos e especiarias [...] tudo super delicioso e diferente de qualquer outro espaço do género em Lisboa. Aliás, só tinha tido uma experiência assim tão verdadeira num restaurante italiano em Dublin — que foi talvez o único restaurante italiano que não vendia pizzas, e era divinal. 

Obrigada, Mano a Mano, por trazeres um bocadinho de Florença, Nápoles, Sicília e Roma até Lisboa...


Rua do Alecrim 22
Todos os dias
Das 12h30 às 23h

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