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5 coisas [que não podem mesmo fazer!]

15 outubro 2018

E que eu fazia — sempre — assim que entrava num avião. Enquanto passageira, tinha uma noção muito linear e simplista daquilo que se passava dentro de um avião e daquilo que considerava ser, no fundo, o trabalho de uma assistente de bordo. Creio que, no fundo, quem não trabalha no meio é assim como eu era. Pois bem, no artigo de hoje partilho convosco 5 coisas que [por favor!] não podem mesmo fazer num avião...


Pensei que podia começar uma nova rubrica às segundas — sempre gostei da noção de "recomeço" que está de mãos dadas com uma segunda-feira — e partilhar convosco algumas curiosidades e histórias que vão surgindo nesta nova etapa da minha vida.

Esta [etapa], que é a principal culpada pela minha infinita falta de tempo — falta de tempo para ler e responder a e-mails, para fotografar, passear por Lisboa e escrever aqui no blog — tem muito que se lhe diga e já aprendi tanto que tudo aquilo que quero é ir partilhando convosco alguns dos bocadinhos do meu dia-a-dia.

Este é um post que já vem a marinar desde o meu primeiro mês de trabalho. Imagine-se! Bastou-me um mês do outro lado do palco ou, no fundo, no backstage de tudo aquilo que se passa por detrás de um voo comercial, para perceber que eu era uma passageira chata. E por passageira chata entenda-se cinco coisas:

Cinto de Segurança

Eu era (e acredito que continuo a ser) aquela passageira que colocava o cinto de segurança mal me sentava no avião. E isso é óptimo. Facilitava sempre a tripulação na altura dos checks e mostrava o meu cinto colocado. Sentia-me muito prestável. O que eu fazia de errado e na altura não me apercebia era que, ao tirar o cinto antes do sinal se desligar era um perfeito disparate. Não sei quanto a vocês, mas agora que estou do outro lado, apercebo-me que a maior parte dos passageiros parece ser alérgico aos cintos. Mal se sentem no ar já os estão atirar. Errado. Não façam isso. É perigoso. A segurança é sempre calculada por quem sabe e se o comandante ainda mantém o sinal acesso é porque é importante permanecerem de cintos postos e sentados. Mesmo que vejam a tripulação a levantar, deixem-se estar sossegadinhos. Provavelmente os tripulantes vão preparar o serviço e têm autorização do cockpit para o fazer. Mas vocês não estão em trabalho. Por isso aproveitem. Descansem e cumpram as normas.

Malas, maletas e malinhas

Mala de cabine, mala de mão, mala da máquina, mala dos cadernos e caderninhos, das revistas e livrinhos. Tirando a de cabine, que ia invariavelmente para a bagageira, levava todo um arsenal de coisas comigo. Em cima de mim, aos meus pés, junto do vizinho. Não. Vamos ser concisos, malta. E não é por uma questão de chiqueza. É de segurança que se fala. Em caso de haver uma evacuação, é importante termos a cabine o mais desimpedida possível. A mala de mão deverá ir por baixo do assento da frente e a restante bagagem devidamente acondicionada nas bagageiras. E deixem que a tripulação vos ajude a organizar a bagagem. Muitas das vezes poderá não caber na bagageira imediatamente por cima do vosso lugar (não há uma bagageira por passageiro) e o pessoal de cabine está mais do que habituado a organizar e estruturar de melhor forma a arrumação das malas. Costumo encarar essa parte como um jogo de tetris e facilita-me imenso o embarque se os passageiros forem flexíveis e me deixarem ajudar. Fica a sugestão.


Janela aberta, janela fechada

Também sou do tipo de passageiro que se senta no lugar e adormece instantaneamente, que em Bela Adormecida. E quase sempre fechava a janela assim que me instalava. Depois, antes da descolagem, lá vinha a Assistente de Bordo pedir para a abrir. Sem entrar em grandes detalhes, a verdade é que é importante que se consiga ter uma noção da envolvente do avião e que, especialmente nessas alturas, se possa ver através da janela. Depois em cruzeiro podem quebrar a luz, baixar as cortinas ou, se preferirem, admirarem o privilégio que é poder olhar para lá das nuvens...

Atrasos, voos de conexão e (im)paciência

Agora que sou tripulante tenho consciência de uma série de coisas que antes não fazia ideia. E sei também que moldei a minha paciência, que hoje em dia é consideravelmente mais vasta. Quando o voo saía com atraso ou quando tinha um voo de conexão a minha primeira atitude seria cair em cima da tripulação. É normal. São eles que dão a cara pela companhia e são eles que (coitados) estão lá para nos aturar receber. Não tinha o discernimento necessário para entender que os atrasos não dependiam deles e que, na maioria dos casos, eles não tinham qualquer informação relevante para me dar. Afinal de contas, não era esse o trabalho deles? Pois bem: agora que eu sou eles, posso-vos dizer que os atrasos hoje em dia muito se devem ao intenso fluxo de tráfego aéreo que torna o aeroporto de Lisboa um caos. As tripulações estão prontas, a tempo e horas, e na maior parte dos casos limitam-se a cumprir ordens da torre. Se nos mandam esperar, nós esperamos. E não há nada que possamos fazer. A cabine e cockpit estão em constante diálogo e tudo aquilo que nós podemos dizer aos passageiros é aquilo que o comandante nos transmite. 

Só queria que percebessem que, por muito aborrecidos e por muito sistemáticos que os atrasos possam ser, nós — os tripulantes — não temos realmente culpa e que esperamos o mesmo tempo que vocês (não andámos ali a laurear no dutty free) e que o vosso atraso é também o nosso atraso (afinal, eu podia estar em casa à hora x e só chego 3h depois, entendem?). É importante também perceber que a maior prejudicada no meio deste caos é mesmo a companhia, que por cada segundo de atraso perde dinheiro. Muito dinheiro. Por isso, nada de se exaltarem, barafustarem e ameaçarem que vos recebe. Estamos todos no mesmo barco avião.

Ainda nem aterrou e já levantou

Eu fazia isto. Sempre. Fazia muito isto. E não me apercebia o quão perigoso (e irritante) era. Agora que estou do outro lado e aterro no meu jumpseat que é mesmo virado para os passageiros sofro por dentro de cada vez que as rodas ainda mal tocaram no chão e já é toda uma coreografia de cintos a serem soltos e penderem para o corredor. Porquê? Não sei. Eu fazia o mesmo quando era passageira mas nem assim vos saberia responder. Acho que é instintivo e as pessoas nem pensam. Mas agora aproveitem para reflectir: têm pressa para quê? Sair primeiro? Mas os passageiros vão todos juntos num autocarro até ao terminal. Não é uma corrida, ninguém ganha. Voos de ligação? Não vão chegar mais rápido se tirarem o cinto e se levantarem mais cedo. Na maior parte dos casos a situação é mesmo perigosa, porque o avião ainda nem está imobilizado, parqueado no stand. Ora, se num carro em movimento têm sempre o cinto, porque não o fazem num avião? Pense nisso...


E estas são — assim num primeiro olhar — as cinco coisas que eu fazia enquanto passageira e que agora percebo que não (não mesmo!) se deve fazer. E tudo tem a sua lógica, se pensarmos nisso. Espero que, se são como eu era, possam ir suavizando algumas atitudes e tornarem-se assim passageiros mais fofinhos

Deixem nos comentários algumas dúvidas ou curiosidades, para que possa trazer mais conteúdo do género aqui ao blog! E bons voos...

5 comentários

  1. Sempre quis saber porque razão nos diziam para abrir as persianas! Em boa verdade, eu gosto é de ir com elas abertas, mas não entendia a necessidade. Agora compreendo, e faz todo o sentido.

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  2. Estou contente por (aparentemente) ter passado no teste com distinção. Não faço nenhuma das coisas acima indicadas, yay! :D

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  3. Estou a ver que sou uma passageira muito bem comportada porque eu costumo cumprir com tudo isso.:P

    Another Lovely Blog!, https://letrad.blogspot.com/

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  4. Depois de ler o post chego à conclusão que sou uma passageira exemplar!
    Beijinhos ***
    Blog Vinte e Muitos

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  5. Felizmente, não estou incluída e nenhum dos pontos, mas é sempre bom receber uma bela de uma chamada de atenção! :P Anotarei para ter ainda mais cuidado!

    Beijinhos,
    LYNE, IMPERIUM BLOG

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