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Madeira Postcards #2

16 janeiro 2018

Estalagem Ponta do Sol. Um refúgio empoleirado no meio da montanha, com vista para o mar. No artigo de hoje partilho a minha estadia num espaço acolhedor e encantador, na Ponta do Sol. Conto-vos um pouco a história do município e partilho algumas dicas e curiosidades sobre a ilha. Se gostariam de visitar a Madeira, tomem nota...


   

 
 


Apesar de ter assumido esta viagem como sendo um escape ao digital, onde aproveitei simplesmente para passear, sem estar sujeita à pressão de fotografar ou documentar tudo, a verdade é que vos queria trazer algumas sugestões de alojamento para introduzir no roteiro à Madeira. A Estalagem Ponta do Sol surgiu de uma forma muito natural, quase intuitiva, no sentido em que representava um tipo de turismo que muito me agrada. Um conceito mais familiar e em contacto com a natureza, com uma localização privilegiada, um pouco mais afastada do centro. Queria poder trazer-vos um espaço que fosse igualmente perfeito para uma escapadinha a dois ou umas férias em família.




estalagem ponta do sol

Estalagem Ponta do Sol fica situada no topo de um penhasco (literalmente) e insere-se na paisagem de uma forma muito orgânica, como se dela tivesse feito parte desde sempre. A localização única é o mote do conceito desta estalagem, que recebe o nome do município onde se insere, e o espaço acaba por conseguir comunicar essa intenção — a de reunir a natureza e a arquitectura num só frame.

O hotel é o resultado da recuperação de uma antiga quinta e o desenho dos novos edifícios acaba por contrastar, de uma forma muito bem conseguida, com os traços da casa antiga. É o equilíbrio do antigamente e do agora, que tanto gosto.

O acesso à estalagem faz-se pelo grande elevador principal, que nos leva à recepção e à zona do bar, esplanada e restaurante. Se subirmos mais um pouco somos então encaminhados para um nível intermédio, com quartos e com a piscina e mais acima, no nível superior, encontramos então os restantes quartos. A vista, em qualquer um dos pontos, é de cortar a respiração. Uma costa linda, orlada com palmeiras e muita vegetação e um mar sem fim que, mesmo em dias cinzentos e de chuva, não deixa de ser lindíssimo.




Algumas das actividades que o hotel oferece incluem passeios nas levadas, circuitos de BTT, mergulho, surf, pesca ou canyoning. Para além do programa de animação, o hotel oferece ainda serviços de spa, que me deixaram muito curiosa. Mas como a minha estadia seria certamente curta demais para experimentar tudo, acabei por optar apenas por passear pela vila. Depois de me instalar e dar uma vista de olhos nas instalações, desci novamente pelo grande elevador, máquina fotográfica em punho. Só eu, a minha Nikon e a Ponta do Sol.


  

the old pharmacy

Era agora hora do lanche. A primeira paragem acabou por ser inevitavelmente uma pequena mercearia criativa que tinha uma esplanada deliciosa. A apresentação deste The Old Pharmacy era tudo aquilo que me encantaria à primeira vista. E não desiludiu. Um espaço aconchegante. À entrada, uma pequena loja com vários produtos regionais e marcas nacionais, por mim muito acarinhadas (como a Castelbel). Tudo muito mignon, muito bem arranjado. Parecia uma autêntica casa de bonecas. E depois como estávamos próximos de Dezembro, já estava toda decorada e iluminada para receber o Natal.



Para além da pequena mercearia e loja de lembranças, o The Old Pharmacy serve também de cafetaria, sala de chá e à noite podemos provar ainda alguns petiscos, sempre acompanhados com um copo de vinho — bem ao jeito português. É um espaço polivalente, que serve muito bem o propósito de trazer algum charme ao centro da vila, numa ruazinha exclusivamente dedicada à restauração. Os espaços vizinhos também tinham todos muito bom aspecto e menus muito convidativos (não achei nada caro comer fora na Madeira) mas como tinha feito uma reserva no restaurante do hotel, acabei por não conseguir experimentar mais nenhum dos outros restaurantes e barzinhos.

No The Old Pharmacy sentei-me com o meu caderno de notas e planeei os restantes dias de passeio na ilha. Pedi um garoto — que foi servido cheio de requinte e ganhou o prémio de garoto mais instagramável de todos — e uma queijada de requeijão. Lembram-se de ter falado destas queijadas no post de ontem? Pois bem, assim que provei a primeira não quis outra coisa. Mas também percebi que as melhores são mesmo as do Ninho da Águia...


 


ponta do sol

Será de recordar que a viagem foi feita no final de Novembro e o tempo já chamava pelo inverno. Eram quase seis da tarde e a noite não tardava a chegar. Por estar de chuva — ainda que não estivesse muito frio — nada mais me restava a não ser passear pelas ruas da vila da Ponta do Sol. A praia deve ser maravilhosa no verão mas limitei-me a fotografá-la à distância (que o mar impunha muito respeito). Ainda assim, não me coibi de registar alguns pormenores que me cativaram, como as várias plantações e as levadas que são, no fundo, canais que poderão ser percorridos a pé, à laia de passeio, para admirar a beleza paisagística da ilha. 

Outra paragem onde me detive foi no Centro Cultural John dos Passos. Um espaço dedicado ao escritor luso-descendente, com várias salas de exposições, uma biblioteca, um auditório e uma arquitectura muito do género da estalagem; onde o traço do edifício se funde na perfeição com o retrato da natureza.

curiosidade: a Ponta do Sol, com um clima subtropical, é considerado o concelho onde o sol brilha durante maior número de horas na Madeira. E esta, hein?



   
A noite caiu rapidamente e eu tinha mesa marcada para as oito. Por acaso, aqui entre nós, adoro viajar sozinha, passear sozinha, fotografar sozinha, estar sozinha mas odeio comer sozinha num restaurante. Em casa não me importo de o fazer, mas marcar mesa para um é uma situação que me aborrece. Sorte a minha que tinha uma família e umas amigas super curiosas para saber como estava a correr tudo e que me fizeram companhia à distância durante o jantar.

O jantar, esse, foi feito no restaurante do hotel. Já levava uma ideia daquilo que iria querer jantar, segundo aquilo que tinha visto no site do hotel. Infelizmente a carta havia sido mudada entretanto e tive que reformular o meu pedido na altura. Acabei por escolher o risotto de camarão e caranguejo, acompanhado de um branco fresquinho. A combinação estava sublime (mas a dose ainda era bastante generosa para uma só pessoa). Para fechar a refeição com chave de ouro pedi se me serviam meia dose de mousse de chocolate da casa. O chef, uma gentileza, assim o fez. E ainda bem. A meia dose era igualmente bem servida e a mousse era divinal, servida com frutos vermelhos e avelãs torradas. Estava tão, mas tão boa!

 

O dia seguinte amanheceu cinzento e a chuva brindou aquela manhã de outono. O pequeno-almoço, servido na mesma sala do jantar, já estava pronto e à minha espera. A mesa apresentava uma variedade de pães e pastelaria vária, queijos e carnes frias, ovos e bacon, sumos naturais, iogurte e cereais. Uma das coisas que mais gostei, para além da sala envidraçada e da paisagem linda que nos envolvia, foi a máquina de fazer aquela espuma gostosa do caffe latte, que tanto adoro. Começar o dia assim é um gosto...




Com calma, aproveitei para rever os detalhes do passeio do dia que se avizinhava enquanto me deliciava com aquele pequeno-almoço de hotel. Para mim, nada é melhor do que um bom pequeno-almoço de hotel. Aliás, fazia disto a minha vida com muita facilidade. Entretanto era tempo de voltar ao quarto, preparar a mala e seguir para o centro do Funchal novamente, onde tinha a tia à espera. 

Não me lembrei de confirmar na altura, mas sei que o hotel tem um serviço de shuttle gratuito para o centro da cidade. Foi uma tontice ter deixado passar o horário do autocarro que me levaria ao meu destino. Isto porque me vi forçada a chamar um táxi e os táxis na Madeira praticam preços proibitivos. Do hotel ao Funchal — uma viagem de cerca de 25 minutos — custou-me quase 45€. Obsceno, portanto. Por isso tomem nota: evitem os táxis e antecipem as possibilidades que os hotéis vos oferecem.



 

Malas feitas, pequeno-almoço tomado segui então para o táxi que me esperava lá em baixo. Paguei com custo a viagem e fui ao encontro da tia. Espero que tenham gostado da partilha deste hotel que servirá, certamente, de recomendações futuras para quem quiser um sítio para ficar na visita à Madeira.

Amanhã volto com a partilha de um almoço muito especial, num restaurante a não perder!

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