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Madeira Postards #5

28 janeiro 2018

Belmond Reid's Palace. O regresso à Madeira, uma estadia digna de princesa e um dos sítios mais bonitos da ilha. No artigo de hoje voltamos a partilhar a última viagem do ano e mostramo-vos como foi passar uma noite num dos hotéis mais emblemáticos do Funchal. Uma série de fotografias bonitas, com vistas incríveis e um pequeno-almoço que se podia repetir todos os dias, para sempre...







Bem, depois de uma semana praticamente de cama, de braço dado com uma valente gripe de inverno — como há muito não tinha — eis que voltamos às publicações aqui no blog e, por isso, regressamos à Madeira. Tudo para partilhar convosco um dos momentos mais gloriosos da viagem, que teve como cenário um hotel lindíssimo, que é também um  locais mais emblemáticos da ilha. Vamos descobrir porquê?





Para que pudesse regressar ao continente com um roteiro caprichado e recheado de boas sugestões, a última noite da viagem foi passada num dos sítios mais bonitos de sempre. Diferente de todos os hotéis onde já estive, situado a oeste da baía do Funchal, este é um espaço repleto de História — e estórias — que parece ter saído de um postal dos anos 20, imortalizado nas várias fotografias e peças de decoração bonitas que o compõem, no ambiente e no serviço que fazem deste hotel, um dos mais icónicos sítios de excelência.








belmond reid's palace

Fundado em 1891, este é o hotel mais antigo do arquipélago e mantém, até aos dias de hoje e 125 anos depois da sua inauguração, um registo muito elegante e requintado, evocando a época áurea do século passado mas mantendo, no entanto, o par e passo com a modernização dos serviços e instalações, acompanhando o progresso do tempo e proporcionando uma experiência de sonho. O Belmond Reid's Palace é, por isso, uma referência no sector da hotelaria nacional e internacional.

A sua história conta-se através das salas e corredores do hotel, das paredes com os vários quadros e fotografias de época, dos vários troféus e recortes de jornais ou revistas. Conta-se através do tempo que passa por cada peça de mobiliário, pelos objectos de decoração, das pratas mais pequenas às peças mais imponentes. Vive-se as lembranças do Reid's em cada canto e recanto do hotel, cuja história está também ilustrada através dos vários nomes que figuram a lista de hóspedes de honra, que ao longo dos anos foi atraindo inúmeras referências da alta sociedade, artistas e políticos — não só pelo hotel, mas também (e sobretudo) pelo clima quente, aragem tropical e paisagem única. Nomes como a imperatriz Zita da Áustria, Winston Churchill, George Bernard Shaw ou Carolina do Mónaco completam o Livro de Ouro do hotel.









Situado na Estrada Monumental, a cerca de dois quilómetros do centro, este espaço priva de uma localização privilegiada, empoleirado sobre o Atlântico e com uma vista incrível sobre a cidade.

Apresentações feitas, gostava agora de partilhar convosco a minha experiência, em nome próprio e na primeira pessoa. A perspectiva de alguém que, inevitavelmente, se apaixonou profundamente por este lugar, por esta paisagem e por esta experiência.

Cheguei ao Reid's numa tarde de chuva, cinzenta e sem graça. A odisseia entre o sair do carro e o chegar ao lobby traduziu-se num look totalmente encharcado e de pouca apresentação para a ocasião. Mas, apesar de tudo, a recepção de boas-vindas não poderia ter sido mais reconfortante. Fui recebida entre sorrisos e cortesias e depressa se disponibilizaram para me guardar as malas e recolher o casaco da rua, enquanto fazia o check-in. Estava maravilhada — e ainda não tinha passado da zona da recepção.





Assim que me conduziram ao quarto e pude espreitar a vista, que se revelava por detrás dos bonitos cortinados da grande janela voltada ao mar, sobre os jardins e piscina, fiquei ainda mais fascinada. O quarto apresentava uma decoração clássica, em tons claros e românticos, peças em madeira com pormenores de mármore branco e arranjos de flores frescas. Em cima da mesa de apoio, junto à varanda, um miminho de boas-vindas delicioso — uma bonita cortesia por parte da gerência — com alguns produtos tipicamente madeirenses, como o Vinho Madeira, a queijada de requeijão ou o bolo de mel. No quarto, para além dos vários espaços de arrumação e todas as amemities dignas de um hotel como este, o que me encantou foi mesmo a vista [de perder de vista] que era o palco de uma estadia repleta de charme, perfeita para nos evadirmos da agitação da rotina do dia-a-dia, deixando os problemas do outro lado do oceano. Aqui limitei-me a observar (e absorver) todo o encanto daquela ilha. E daquele hotel. Durante aquela noite senti-me uma verdadeira princesa. Aprendi a dar valor ao "meu" tempo, visto que estava por minha conta e pude aproveitar cada segundo daquela estadia maravilhosa.




A tarde cinzenta do dia da minha chegada foi, por isso, passada dentro do hotel. Aproveitei para explorar as áreas comuns como o lobby de entrada, a sala de bilhar, os vários espaços de passagem, repletos de peças de decoração, quadros e fotografias emblemáticas. Senti-me como se estivesse num museu e estava genuinamente interessada em ver todos esses elementos que fazem parte da história do Belmond Reid's Palace. Depois quis aproveitar o quarto, fotografar alguns pormenores e admirar, ainda que de dentro, a beleza incrível do oceano em dias de chuva. É o que vos digo: a Madeira, mesmo no inverno, tem uma beleza única.

Por ser o último jantar da viagem, acabei por aproveitar para ir com os tios experimentar um dos pratos mais famosos da região: a espetada madeirense. Mas sobre as dicas e sugestões gastronómicas falaremos numa outra ocasião.

O certo é que acabei por regressar ao Reid's relativamente cedo e o despertar, no dia seguinte, fez-se em concordância. Acordei com o sol, que se ia levantando sobre o horizonte e revelando um dia bonito, de céu limpo...





Desci para tomar o pequeno-almoço, que é servido junto ao jardim da piscina. Ansiosa por aproveitar o dia ao máximo, tomei o pequeno-almoço no exterior, contemplando aquela manhã magistral. 

Quem me conhece ou acompanha por aqui saberá que eu adoro pequenos-almoços de hotel. De verdade. Podia facilmente fazer vida disto. Imagine-se o que seria: apreciadora e aprovadora profissional de pequenos-almoços de hotel. Era feliz! Como fui aqui, nesta manhã, onde saboreei um dos pequenos-almoços mais completos de sempre.

De todos os hotéis onde já fiquei hospedada este foi, sem dúvida, o que mais qualidade e quantidade nos produtos e serviços prestados. A mesa dos pães tinha uma infinidade de opções, entre padaria e pastelaria de perder a cabeça! As frutas frescas estavam também primorosamente descascadas e arranjadas como se de uma pintura fizessem parte. Os queijos, as carnes frias e fumadas, as guarnições, os legumes, o bacon e os ovos — feitos na hora e de várias maneiras — os cereais, os leites, sumos naturais, chás e iogurtes (...) tudo com muita apresentação, muito apetitoso e, vim a comprovar entretanto, muito saboroso.






Confesso que fazia questão de ter uma mesa bonita e composta, sobretudo para que ficasse enquadrada no ambiente que se fazia sentir naquela sala de refeições, para que vos pudesse trazer um pouquinho daquele pequeno-almoço digno de realeza. Acabei por provar um pouco de (quase) tudo e posso-vos dizer que tudo era delicioso, bem confeccionado e estava irrepreensivelmente bem apresentado, desde os pãezinhos, passando pelas waffles e a terminar nos ovos benedict — que estava óptimos!






Começar assim o dia é um gosto e o Reid's prima por pensar em cada detalhe e pormenor da nossa estadia. Como vos havia mencionado, o pequeno-almoço é servido na sala junto ao jardim da piscina, o que nos leva — quase de forma instintiva — a explorar o resto dos jardins e dos vários trilhos que percorrem o hotel. E foi exactamente isso que fiz, mas não sem antes preparar a mala para o meu regresso e tratar do check-out, para assim poder ficar a fotografar e passear no final da manhã, a última da viagem.




O Belmond Reid's Palace, para além da sala onde são servidos os pequenos-almoços, apresenta ainda um Cocktail Bar (com um chão e um balcão de mármore lindíssimos!), o The Dining Room, onde ainda se realizam os famosos jantares dançantes e o William Restaurante que, sobre a alçada do Chef Executivo Luís Pestana, supervisionado por Joachim Koerper, recebeu a sua primeira Estrela Michelin em 2017. Apesar de não ter sido uma experiência que tenha conseguido levar a cabo, fiquei muitíssimo curiosa com os vários menus que o Restaurante William — uma homenagem a William Reid — e com os pratos de assinatura como a 'vieira com aspic de porco fumado e beurre blac de laranja' ou a 'mousse de morango, cremoso de chocolate branco e ervilhas'. Para uma próxima oportunidade e visita à ilha, prometo, voltarei.




o chá do reid's

A par com o então galardoado Restaurante William encontramos um outro espaço, igualmente emblemático, que faz parte da tradição do hotel. Na imponente varanda volta para o oceano é servido o chá da tarde, naquele que hoje em dia é conhecido como o Terraço do Chá. O serviço é feito por volta das cinco da tarde, preferencialmente em dias de sol, onde são servidos pequenas sandes, scones e uma deslumbrante pastelaria, disposta em elegantes pratinhos de três andares. Para acompanhar, uma carta generosa de chás e infusões, que prometem agradar a todos os gostos. Este é um ritual que pode ser vivenciado por qualquer visitante, não sendo forçosamente exclusivo dos hóspedes do hotel. Acaba por ser uma oportunidade fantástica para conhecer o espaço e desfrutar de uma tarde em família ou entra amigas, numa das varandas mais charmosas da ilha.




Antes de regressar para o centro do Funchal, já depois de fazer o check out e de me despedir daquela que foi a equipa perfeita — e a minha companhia — nas últimas horas, resolvi passear mais um pouco pelos jardins do hotel. Tudo para que pudesse registar alguns detalhes que me tinha encantado nos passeios anteriores.

Fiquei apaixonada pelo ritmo sistemático das fachadas, com as janelas, varandas e portadas colocadas de forma harmoniosa, simétrica. O rosa pálido e o cinza claro, em contraste com a imensa vegetação, as muitas palmeiras e os tantos cactos que ornamentavam os caminhos dos jardins empoleirados sobre o mar. Fiquei fascinada com as facilidades de apoio à piscina, como os livros e revistas, as raquetes de ténis ou as cestinhas de piquenique — tudo para usufruto dos hóspedes. Não é uma delícia?







Confesso que foi aqui que me demorei mais um bocadinho. Estava deliciada com a manhã de sol que brindava aquele último dia na ilha e estava absolutamente assoberbada ao ver vários clientes (estrangeiros, garantidamente) que davam mergulhos na piscina e apanhavam banhos de sol na espreguiçadeira — em pleno final de novembro! Mas Depressa percebi o porquê de dizerem que a Madeira é a pérola do Atlântico e de ser um destino tão procurado por turistas, sobretudo os que nos chegam dos países mais frios. É que, mesmo em véspera de entrar o inverno, o tempo é sempre ameno (mesmo quando chove) e o sol é quente e duradouro, convidativo ao passeio e capaz de curar qualquer mal. Aqui, pelo menos, foi isso que senti; não havia mal que vingasse num sítio tão bonito.






Outro aspecto fascinante no Reid's é que, para além da piscina principal, encontramos ainda um outro espaço que se revela como sendo uma piscina de água natural, estando inserida em pleno oceano. Construída através de um jogo de níveis e desníveis, esta área é como se fosse uma simbiose perfeita entre a construção e natureza, proporcionando uma experiência naturalmente única aos seus hóspedes. Pena tenho eu de não ser corajosa como os turistas nórdicos mas adoraria regressar à Madeira, desta vez no verão, só para me permitir dar um mergulho nesta piscina no coração do Atlântico. 







Voltaremos amanhã, para terminar a série de artigos sobre a Madeira com um post de dicas e sugestões, como já vem sido habitual aqui no blog...

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