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București #5

25 julho 2017

10 curiosidades sobre Bucareste. E sobre a nossa incrível experiência com a TAP e o Turismo da Roménia. Na verdade, o artigo de hoje vem encerrar o primeiro capítulo de partilhas dessa nossa aventura, na outra ponta da Europa. Encerramos esta primeira leva de posts com algumas curiosidades, sem dizer adeus para sempre a esta cidade que tanto nos fascinou, primeiro porque gostaríamos muito de lá voltar, segundo porque ainda vamos ter todo um diário em video para editar. Mas isso terá que ficar para um outro capítulo. Para já, dez curiosidades e particularidades da capital romena.



1. București: a cidade da alegria 

Rezam as lendas que o nome da capital é uma homenagem a um homem chamado Bucur; poderia ser um príncipe ou um pastor... não sabemos ao certo. A verdade é que bucur significa alegria e é muito isso que se vive hoje, nas ruas da cidade!

De facto, Bucareste revelou ser uma cidade linda, com imensa luz, vários jardins, árvores e flores. As pessoas são muito simpáticas (as raparigas, regra geral, vestem-se super bem!), todos falam inglês e todos se mostraram sempre muito prestáveis para ajudar. Foi uma lufada de ar fresco e foi uma enorme surpresa, já que levávamos na bagagem uma série de estereótipos associados à Roménia (e aos romenos) que acabaram por ser completamente arrasados.

O melhor de tudo? Ainda está uma cidade intocada pelo turismo, bela e genuína, que merece ser conhecida agora!


2. București: a cidade em descoberta 

Na verdade, sentimos que Bucareste está numa fase de revitalização crucial para o crescimento e descoberta de novas valências da cidade. Encontramos muitos edifícios devolutos, outros tantos em obras e alguns já reabilitados. Os espaços começam agora a modernizar-se e é de notar o esforço para moldar consciências e hábitos de quem habita a cidade. Os graffitis feios têm sido substituidos por verdadeiras obras de arte, muito representativas da street art romena; as lojas começam agora a valorizar património, apresentando técnicas de antigamente em peças super actuais; as ruas estão limpas e preservadas. Há uma corrente de contrastes muito interessante na cidade, onde o ontem coabita com o hoje de uma forma muito vincada.

Pensamos que Bucareste irá atingir o auge dentro de pouco tempo e que, até lá, é uma cidade que nos pode trazer imensas surpresas...


3. București: a cidade das pechinchas

Tudo em Bucareste é barato! Pelo menos a comparar com os preços de Portugal (e, senhores, nem comparemos com os dos de Paris...), a vida lá é muito mais em conta. Um léu corresponde a 0.22€ e 100 lei são, por isso, 22€. Conseguem almoçar por 3€ e jantar por 6€, por exemplo e em contas redondas. As entradas nos museus rondam os 2€ (sendo que ainda há descontos para estudantes).

Os táxis, por exemplo, são uma pechincha! No último dia apanhámos um táxi para jantar mas ainda fizemos umas paragens pelo caminho para fotografar o Parlamento. Demorámos, no total, cerca de 40 minutos até finalizar o percurso e a viagem ficou a 4€ (que seria eventualmente uma despesa a dividir por todos os que partilharam o táxi, calhando um euro a cada talvez), já viram que máximo?

Quem se queixa dos preços obscenos de Paris (e diz não ter dinheiro para viajar) é porque não conhece Bucareste!


4. București: a cidade onde se falam muitas línguas

Bem, na verdade fala-se romeno (apesar de todos falarem inglês com bastante facilidade). A questão é que nós, portugueses, quando ouvimos romeno pela primeira vez, lembrámo-nos logo que parecia ser uma conversa tripartida em três idiomas diferentes; as terminações das palavras em i (ce mai faci - como estás?) lembravam o italiano; outras soavam a russo (Mulţumesc - obrigado) e outras ainda eram iguais ao francês (pardon - com lincença). Reparámos também que existem várias palavras que se escrevem exactamente igual em poruguês (como farmácia ou biblioteca). Foi todo um processo de descoberta fascinante, ouvi-los a falar entre eles.

Percebemos rapidamente que nos entendemos melhor a ler romeno do que a ouvir (que eles falam super rápido)!


5. București: a cidade à prova

Uma experiência que achámos muito marcante foi a ida ao mercado. Um espaço enorme, cheio de vida, de gente, de cores, texturas e sabores, num conceito de mercado um pouquinho diferente daquilo que vemos cá em Portugal: onde podemos provar tudo...antes de comprar! E é verdade, lá ninguém nos leva a mal se provarmos uma ameixa ou um bocado do tomate. Provamos tudo; se gostarmos compramos, se não seguimos para o poiso seguinte. 

Outro aspecto que achámos muito importante na cultura romena é a inserção dos vegetais em todas as refeições do dia. Na Roménia o pequeno-almoço começa logo com uma série de vegetais, servidos frescos ou assados e tomates, beringelas, batatas, pimentos ou pepinos fazem sempre parte da composição dos pratos.

Os vegetarianos por lá não vão ter dificuldade nenhuma em encontrar pratos sem carne ou peixe!


6. București: a cidade sem doces nem sobremesas!

Temos que partilhar isto: no fim do segundo dia, por altura do jantar, já estávamos nós — os portugueses — a salivar por um pudim flan, um arroz doce, um leite creme ou qualquer coisinha que nos desse um travo doce. É que, em boa verdade, temos muito enraizada na nossa cultura lusitana o fechar uma boa refeição com uma bela sobremesa! Aliás, sentimos que nem a completamos se tal não acontecer. E se há coisa que temos em variedade são os doces. Podemo-nos orgulhar da nossa culinária e riqueza gastronómica, dos doces conventuais, das tantas especialidades regionais... só que em Bucareste não encontrámos sobremesas nem doces. É como se não existissem. Perguntámos pelas iguarias típicas e disseram-nos apenas que seriam uns donuts açucarados. 

Nas cartas dos restaurantes raramente encontrávamos uma secção de sobremesas e percebemos, para nosso grande espanto, que lá a refeição termina com o prato principal. Só. O que é pena (mas nos leva a crer que é por isso que eles são todos magrinhos...)!


7. București: a cidade do bom café, dos bons petiscos e da Silva!

Bem, mas não desanimem com a falta de doces! Temos que deixar a nota de que a água deles (quer a da torneira, quer a engarrafada), o café e a cerveja são muito bons! Experiências como as que temos em Espanha ou França, onde a água e o café são intragáveis, levaram-nos a pensar o pior de Bucareste. Só que não! A água é óptima, os cafés são muito bem tirados e a cerveja romena é deliciosa, um pouco mais forte que a nossa e chama-se Silva! Não é um máximo? 

Outro ponto muito positivo são os produtos de charcutaria deles; os queijos e enchidos são muito saborosos, temperados quase sempre com um toque fumado, bem incrementados e de grande qualidade. Comprámos uns quantos no mercado para o piquenique e ficámos deleitados.

Quando forem a Bucareste, aventurem-se pelos petiscos e acompanhem-nos com uma Silva gelada!


8. București: a cidade das esplanadas e das noites sem fim

Ao longo de toda a cidade, com especial destaque para a zona da baixa e parte velha, encontramos várias esplanadas super agradáveis, bem arranjadas e muito convidativas. Está claramente enraizado na cultura dos bucarestianos o hábito de sentar à esplanada, a ler um livro, a folhear um jornal, a conversar com a família, a partilhar uma refeição a dois ou a conviver com os amigos. E isso é-nos tão familiar que só nos poderíamos sentir em casa e com vontade de aproveitar todos os raios de sol naquelas esplanadas apetitosas.

Outra coisa que nos fascinou (de verdade), foi a vida nocturna do centro da cidade. Depois de uma certa hora, as ruas enchem-se de vida  numa movida quase ao jeito de nuestros hermanos — e a animação alonga-se pela noite fora. E não pensem que nos referimos somente às camadas mais jovens. Não! Em Bucareste a noite é para ser vivida, com pompa e circunstância, por todos. Os bares são de livre acesso e contaram-nos que o que se costuma fazer é uma espécia de rally, pelos barzinhos rua fora. Entram num e brindam. Passam ao seguinte. Vão ouvindo e dançando as diferentes músicas e seguem no embalo da canção.

E lá eles vivem mesmo muito a música; assim que começa a tocar, as mesas ficam desertas e há todo um assalto à pista de dança do bar. Eu e o Miguel ficámos os dois timidamente sentados, ao nosso jeito lisboeta, até que nos arrastaram (literalmente) para o foco da questão!


9. București: a cidade das bicicletas e do salve-se quem puder!

Amigos, o trânsito por lá é caótico. Tudo bem que não conduzem à esquerda e que o sinal de STOP é igual ao nosso. Mas ficámos com a sensação que em Bucareste as raias, traços contínuos e sinais proíbidos são meros acessórios, numa decoração à escala da cidade. Apesar disso, por ser uma plana, tem imensas ciclovias ao longo de toda a cidade, devidamente assinaladas e bastante seguras. 

Outro aspecto que não podíamos deixar de fazer referência — e que se pode inserir no "salve-se quem puder" — está relacionado com o facto de quem toda a gente fuma em Bucareste. Toda! É impressionante. Não há vivalma na rua que não acenda um cigarro mas, curiosamente, não é permitido fumar em espaços fechados (nem em bares) e as ruas estão sem beatas, o que nos deixou espantados!

Em suma: alugar uma bicicleta acaba por ser uma boa ideia para se visitar a cidade e se ficaram curiosos, o tabaco lá é baratíssimo!


10. București: a cidade das saudades

E que saudades! Já passaram duas semanas desde que regressámos da viagem e já só penso em formas de voltar. Primeiro porque os voos pela TAP estão super simpáticos, depois porque, como fomos num registo de #unseenbucharest, acabámos por não ver alguns marcos muito importantes na história do país e da cidade. Ficámos com aquela sensação de que esta viagem serviria apenas como aperitivo, para aguçar a nossa curiosidade e nos deixar cheios de vontade de lá voltar. E é isso mesmo que se passa!

A pequena paris, como era apelidada, revelou ser uma cidade de gente bonita e simpática, que não se enquadra em nada no estereótipo 'romeno' que aqui imaginamos. Mesmo os ciganos são diferentes; são a verdadeira alma da cultura gipsy e têm influências muitíssimo interessantes para partilhar connosco!

Se visitar a Roménia estava no topo da minha lista? Não. Se voltava lá outra vez, de propósito e sem pensar? Voltava!

8 comentários

  1. É muito interessante quando temos uma ideia de determinado país ou cidade, e afinal é completamente diferente do que pensávamos (para melhor). Eu sempre tive muita curiosidade em relação aos países de leste, em particular pela Roménia e pela Ucrânia. Sabes, acredito muito que todos os lugares do mundo têm algo para nos oferecer. E quanto mais viajo, menos estereótipos tenho - na verdade, nunca tive muitos.

    Gostei muito de ver este teu #unseenbucharest, há coisas que acrescentei na minha lista de lugares a descobrir quando visitar a cidade daqui a menos de um mês. Vou alugar um carro em Timișoara e só o entrego em Bucareste, deseja-me sorte! Já sei que a condução é uma loucura...

    Mundo Indefinido

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  2. E pronto... com esta série de posts, plantaste o bichinho da curiosidade :)
    Devo confessar que fiquei surpreendido com a parte das sobremesas, mas pensado bem, é capaz de ser um bom destino para atenuar a minha "sugar addiction" :)

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    1. Em relação aos doces, a maioria dos restaurantes tem alguns como crepes, tiramisu, volcano de chocolate com gelado, mousse (geralmente de chocolate), tarte de maçã, outros bolos (de nozes, caramel, limão etc.). Existem muitas geladarias, cafés (sempre vendem bolinhos pra acompanhar).
      Alina

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  3. O teu blog e o teu instagram dão-me uma enorme vontade de andar a viajar por todo! Está excelente!

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  4. Bem... isso de não haver sobremesas é que não! Mal sabem eles o que perdem.
    Mas gostei imenso de ler sobre a cidade, excelente trabalho :D

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  5. Finalmente arranjei um tempinho para ver esta série de publicações sobre Bucareste e é de abrir o apetite, como sempre.
    Que bom que estás a ter retorno pelo teu trabalho!

    Rui Quinta, Rui de Viagem

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  6. Olá, Susana! Há doces, sim. Todo restaurante o têm. Seria mais correto dizer que o romeno não tem como habito comer também sobremesa depois da refeição. É opcional.
    O romeno gosta de doces e faz muito em casa também.
    Alina

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  7. Olá, Susana! Há doces, sim. Todo restaurante o têm. Seria mais correto dizer que o romeno não tem como habito comer também sobremesa depois da refeição. É opcional.
    O romeno gosta de doces e faz muito em casa também.

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