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București #2

18 julho 2017

O primeiro dia na cidade. No post de hoje mostramo-vos como começou o nosso primeiro dia na cidade  segundo de viagem  e contamo-vos um bocadinho sobre a nossa ida ao mercado, sobre os passeios entre ruas bonitas e edifícios imponentes, sobre a manhã que terminou num piquenique maravilhoso no parque e muito mais. No fundo queremos que percebam o porquê de termos ficado tão surpreendidos e maravilhados com Bucareste. Vamos a isso?




O dia amanheceu solarengo e nós estávamos cheios de energia para explorar a cidade, embora ainda não acreditássemos que estávamos ali, de facto, em Bucareste. Aliás, se leram o artigo de ontem, saberão que toda esta viagem nos chegou embrulhada em espanto e surpresa! 

Descemos sem demoras para a sala do pequeno-almoço e encontrámos uma enorme variedade de opções que compunham o clássico "pequeno-almoço intercontinental"; ovos, bacon e carnes frias, queijos, iogurte, fruta e cereais, sumos, chás, leite e café. O serviço do Hotel Venezia revelou ser super simpático, cordial e muito eficiente.





O encontro estava marcado para as 8h30, à porta do hotel, onde nos iríamos reunir com grupo e de lá seguiríamos para um dos principais mercados de Bucareste, o Bucur Obor. A ideia seria comprarmos lá os ingredientes necessários para o almoço, já que para esse dia os planos contemplavam um piquenique muito especial no parque.

E assim foi. Seguimos na companhia da querida Andrada, da Ana e do irmão Dan (que fazem parte de uma agência de turismo) no nosso mini bus, pelas estradas de Bucareste, até àquele que se viria revelar ser o maior e mais completo mercado que eu já visitei.


bucur obor & piata obor

Quando chegámos ao nosso destino ficámos maravilhados com a imensidão de Bucur Obor; esta é uma zona comercial muito grande e com uma enorme variedade de oferta. Na Piata Obor encontramos a maior concentração de artesãos e comerciantes locais que nos regalam a vista com produtos frescos, frutas e legumes, muitas flores e outras tantas ofertas regionais.



Já deverão saber que passear (e fotografar) em mercados é um dos meus planos predilectos de sempre, por isso entrar neste espaço foi assim como que um deleite para mim. Tantas cores e texturas, tantas flores e verduras [...] os aromas quentes de verão, a vida que se vive de forma tão intensa, tão genuína, num espaço destes, que corre com a naturalidade de um sábado na cidade, entre a gente de lá — e nós, de cá, maravilhados com aquele cenário tão sincero, tão local.



A ida ao mercado foi pensada para que pudéssemos comprar os melhores produtos e ingredientes para o nosso almoço. Então dividimo-nos em três pequenos grupos, cada um acompanhado com um guia local, com a sua respectiva lista de compras e seguimos em passo animado, mercado adentro, para provar as melhores frutas, escolher os enchidos e queijos fumados mais deliciosos, trazer os legumes e vegetais mais frescos e saborosos.



Foi uma manhã deliciosa e muito divertida. Ficámos encantados com a vida no mercado e achámos imensa graça ao facto de se provar tudo antes de comprar; lá eles provam as ameixas, os alperces, os tomates [...] experimentam tudo e só depois decidem se compram ali ou se vão provar os produtos do vizinho. Aconteceu-nos provar uma ameixa que não era tão doce nem sumarenta, agradecer e seguir para o próximo produtor. É um costume muito enraizado na cultura romena e que, a nosso entender, deveria ser importado para cá (já que faz todo o sentido que assim seja).


Outro pormenor que me encantou foram as cestinhas de verga que eles usam para as compras no mercado — e tinham tantas lá para vender que agora, olhando para trás, só me arrependo de não ter trazido uma! Para entrar no verdadeiro espírito do projecto #unseenbucharest as nossas compras foram feitas com um desses cestos, o que tornou a experiência ainda mais autêntica e bonita.

Compras feitas, estava na hora de ir passear um pouquinho pela cidade, para abrir o apetite...




Deixámos os cestos ao cuidado do Dan, que tratou de os guardar em local fresco, e nós seguimos passeio, desta vez a pé, pelas ruas da cidade. A Andrada levou-nos por ruas repletas de elementos carismáticos, onde os contrastes se faziam notar de forma acentuada mas, ao mesmo tempo, muito equilibrada. Ruas repletas de street art, com ilustrações que ganhavam forma nos muros, outrora despidos e davam cor às ruas maioritariamente cinzentas...





mas bucareste não é uma cidade cinzenta...

Na verdade, Bucareste não era de todo como nós imaginávamos! Mas sobre isso falaremos depois. Na arquitectura que reveste as ruas da cidade encontramos um misto de eras históricas, como o período entre guerras, o período comunista e o moderno. Grande parte dos prédios — muitos deles devolutos ou em fase de reconstrução — são feitos em betão e apresentam fachadas frias, sóbrias, sem grandes ornamentos, tão características do período comunista.




Por outro lado (e para nossa surpresa) existem ainda imensos exemplos de edifícios e monumentos emblemáticos que em muito se assemelham ao estilo arquitectónico do ocidente europeu; pedras brancas, colunas trabalhadas, frontões ornamentados, fachadas detalhadas, grandes janelas, águas furtadas — como se vê em cidades como Paris. Aliás, Bucareste é frequentemente apelidada de petit paris ou de paris do leste.




Por isso, esta também é uma cidade de grandes contrastes, cujas ruas estão repletas de História — e estórias — numa simbiose entre o antigamente e o agora, onde o passado se encontra com o presente. 

Bucareste acabou por se revelar uma cidade lindíssima e cheia de potencial. Ao passear pelas ruas da cidade — umas mais antigas outras nem por isso, muitas avenidas imponentes, outras não passam de ruelas escondidas — sentimos que a cidade ainda se está a reerguer depois de um grande período ditatorial que terminou não há muito tempo. É por isso que ainda encontramos prédios devolutos, em abandono parcial ou total, mas também já vemos muitos edifícios recuperados e arranjados, dignos de receber os visitantes.




Sentimos que Bucareste é uma cidade em franca expansão e progresso e que agora é a melhor altura para a conhecer, explorar e visitar. É uma cidade linda, com marcos históricos muito importantes, fascinante para os amantes de arquitectura, estudiosos ou meros curiosos. 

o melhor é ir agora...

Ainda se apresenta de forma muito genuína, não está minada de turistas nem se converteu ao turismo de massa. E, apesar de tudo, não há ninguém que não fale inglês, que não faça um esforço para entender, para ajudar. Não precisámos de muito tempo para perceber que o povo romeno é um povo de acolhimento doce, hospitaleiro e muito orgulhoso do seu país, da sua riqueza, da sua oferta. Por isso, se quiserem conhecer a cidade no seu estado ainda mais puro e sincero, o melhor é ir agora. 

Algo me diz que, mais ano menos ano, Bucareste deixará de ser o segredo do leste mais bem guardado...




Continuámos passeio. Passámos pelo Romanian Athenaeum, com a sua expressão neoclássica, vimos o Teatro Nacional de Bucareste, o Museu Nacional de História da Roménia, ficámos encantados com a cúpula de vidro do Palácio CEC, passámos pelo Palácio da Justiça e pela Igreja Kretzulescu. Pelo caminho vimos imensos parques e jardins, várias famílias, grupos de amigos e crianças que brincavam na rua. O dia estava lindo, um céu azul imenso, e por isso nós só podíamos estar felicíssimos por estar ali, em Bucareste.







Da Calle* Victoriei, uma das mais antigas da cidade, seguimos por uma rua pequenina, de acesso pedonal e aproveitámos o embalo para visitar de fugida o Mosteiro Stavropoleos, uma pequena igreja ortodoxa com um claustro muito bonito. De facto o nosso passeio não era — de todo — turístico, por isso deixámos a visita aos principais monumentos para uma outra altura. Neste projecto #unseenbucharest o objectivo era que explorássemos a cidade como locais, visitando os espaços mais cosmopolitas, irreverentes e cheios de personalidade de uma Bucareste renovada, mais jovem e convidativa... 

*"rua" diz-se "calle", como em espanhol e "biblioteca", por exemplo, escreve-se "biblioteca" em romeno. Imaginavam que seria assim?



Ainda assim — e porque ninguém do grupo conhecia a cidade — acabámos por passar em alguns dos espaços mais emblemáticos como a Biserica Sfantul Anton. Esta é a igreja mais antiga de Bucareste, fundada no século XVI e inicialmente denominada como Igreja da Anunciação, que serviu de palco para as coroações de vários reis da Roménia. Fica situada na parte velha da cidade e ao lado encontramos ainda o Curtea Veche, um palácio construído durante o reinado de Vlad III Dracula, em 1459. 

Curiosidades sobre o Drácula? Ficarão para depois...




Chegámos então ao parque onde iríamos fazer o nosso piquenique — Parcul Carol. Dos cestos tirámos o pão, as carnes frias, os queijos fumados, os aperitivos (as azeitonas envelhecidas eram tão boas!), as frutas e legumes. A Andrada dispôs tudo com muita apresentação nas tábuas de madeira e preparou-nos um verdadeiro banquete ao ar livre. Assim, desta forma, pudemos provar os melhores produtos locais, no seu estado mais puro, enquanto brindávamos com uma cerveja ou cidra romena.

Estava tudo delicioso e foi um momento memorável. Estarmos ali todos, sentados em comunhão com a natureza, num parque repleto de famílias (e noivas, muitas noivas), onde as crianças brincavam à apanhada e jogavam badminton, onde podíamos descansar da caminhada e partilhar as nossas ideias e opiniões sobre a cidade. Foi um dos momentos altos da viagem, para mim.

Amanhã regressamos com a segunda parte deste dia; mostramo-vos as melhores lojas e cafés de especialidade da cidade...

3 comentários

  1. Nossa, apaixonei-me pela cidade so de ler a tua descrição... Nunca tinha pensado em visitar Bucareste, mas agora sem dúvida que é um destino que não posso perder. Vou ficar atenta ao resto da viagem.
    AMOR'A SARA

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  2. As tuas fotografias encantam qualquer um.
    Dá vontade de conhecer, sem dúvida.

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  3. Parcul Carol é o parque da minha infancia e juventude, vivi perto uns 26 anos e depois de dar a volta ao mundo há 5 anos que moro em Lisboa (Cascais há quase um ano). Fiquei cheia de saudades! Obrigada!

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