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BOA BAO

26 julho 2017

Uma viagem até ao Oriente, sem sair de Lisboa! No Largo Rafael Bordalo Pinheiro, uma das zonas mais emblemáticas e genuínas da cidade — entre os azulejos que revestem as fachadas e as andorinhas espalhadas, a luz que reflecte aquela maravilhosa claridade ou a imagem imponente da Trindade — existe um espaço que nos leva para outro continente, numa viagem gastronómica até ao Oriente. É uma das mais recentes descobertas na cidade e acabou por se tornar num dos sítios que deixa mais saudade... 


Este foi um almoço entre amigas, numa segunda-feira que se veio a revelar deliciosa. Oxalá todas as segundas começassem assim! Encontrei-me com a Tatiana por volta do meio dia e meia à porta do Boa Bao. Ela queria mostrar-me o melhor do oriente e deste espaço que, embora tão recente, já promete ser a sensação de Lisboa.


Levei a máquina — porque sabia que iria adorar fotografar todos os detalhes desta viagem — e, à hora combinada, ainda consegui captar alguns registos da sala sem grandes agitações. E ainda bem!, porque nem quinze minutos depois, já perto da uma, a afluência era tanta que se tornava complicado fotografar o espaço. Mas acreditem: a essência do Boa Bao assenta muito no ambiente e da decoração mas é através das ligações, das relações e da incrível descontração (e boa onda) das pessoas que por lá passam que este se tornou, rapidamente, num dos meus sítios de eleição para se estar em Lisboa.




uma viagem pelo oriente...

Este é o resultado de um projecto há muito sonhado, criado por um casal de viajantes com um enorme carinho por Lisboa, que trouxeram para a cidade um passaporte com carimbo directo para uma verdadeira viagem pela Ásia. O espaço não podia ser mais perfeito: uma sala ampla, com iluminação difusa, abóbadas em pedra e tectos baixos, que se desenvolve desde a esplanada da entrada até ao pequeno pátio interior, passando pelo balcão junto à cozinha, pelo cocktail bar e pelas várias mesas e bancos corridos que orlam a sala.

Um ambiente eclético, pintado em tons de terra, ocres, cinzas e vermelhos. Elementos figurativos, de vários países do oriente decoram aquele espaço, que recria de forma autêntica o Mercado de Saigão dos anos 20 e nos transporta para um cenário longínquo, quente, exótico e muito apaixonante.




boa bao

Todos os detalhes são pensados ao pormenor e isso, para mim, é um dos grandes pontos-chave do espaço. É ver a dedicação e carinho colocados em todos os elementos que compõem o cenário; desde as peças de decoração, passando pela construção do cocktail bar, pelas loiças utilizadas, pelo serviço cuidado, jovem e descontraído — aliás, toda a equipa Boa Bao é de uma simpatia e alegria contagiante, eficiente e muito familiar, o que nos deixa ainda mais confortáveis nesta que se supõe ser uma viagem, em todos os sentidos — terminando na apresentação da carta, que é feita através de um "diário de viagem" (onde tempos as entradas, pratos, acompanhamentos e sobremesas) e um "passaporte" (com os vários cocktails de assinatura).

Boa Bao assume-se como um restaurante pan-asiático, respeitando as receitas tradicionais e ingredientes originais dos diferentes países da Ásia, como a Tailândia, Vietname, Laos, Cambodja, Malásia, Japão ou China... sem reinvenções, fusões ou outras interpretações.

  




Eu e a Tatiana iniciámos a nossa refeição com algo fresco. Estava tanto calor e estávamos tão entusiasmadas por estar ali, as duas, naquela bonita tarde de segunda-feira, que acabámos por pedir um cocktail com álcool — o old thoughts, servido na cabeça de macaco —, um mocktail sem álcool — rempha, com um doce sabor a manga (o meu favorito) e um chá frio da casa, que varia todos os dias.

Acabámos por partilhar as bebidas entre nós, exactamente como fizemos com os pratos depois; este é um espaço onde a partilha está na base da experiência e acaba por ser, por isso, um sítio perfeito para levar os amigos para uma refeição descontraída, informal e muito [muito!] divertida.

  




Pedimos duas entradas para partilhar; um sortido de dim sum vegetariano e as tostas de pão frito com camarão, porco e sésamo. O dim sum estava maravilhoso, leve, bem temperado, muito quente e rico em recheio. Mas tenho que vos confessar que me rendi às tostas de porco e camarão! Diferente de tudo o que havia provado e nada daquilo que tinha imaginado, esta entrada foi um dos pontos-altos da refeição: super crocante, muito saborosa e bastante rica. Podia voltar lá só para almoçar esta entrada, várias vezes, juro!


  

De seguida, também para partilhar, pedimos três pratos principais, tentando sempre experimentar receitas novas e combinações diferentes. Desta forma provámos o pato à pequim com hoisin, pepino e cebola, servido no típico pão bao, o tom ka kai, que é um guisado de coco, com frango e erva príncipe, que estava absolutamente divinal e o robalo ao vapor com lima, malagueta e pakchoy. Cada prato é servido com um acompanhamento à escolha e, por isso, pedimos três tipos de arroz: o arroz de jasmim, muito aromático, o arroz glutinoso, perfeito para colocar no molho do robalo e deixá-lo absorver todos os sabores e o arroz frito, muito saboroso.

  


A mesa depressa se tornou numa montra para os sabores da Ásia, embalando-nos naquela viagem gastronómica pintada de muitas cores, texturas, aromas e sabores. Os ingredientes são fresquíssimos e a confecção é exímia. Tudo o que nos foi servido vinha no ponto, em todos os sentidos. Pratos ricos, saborosos e servidos no tempo certo. O pato era muito tenro e aquele pão é imperdível, especialmente se estiverem interessados em diversificar a experiência. O caril de coco e lima estava delicioso, aveludado e ligava muito bem com o arroz frito. O robalo estava muito suculento, cozinhado au point, e servido com um molho absolutamente incrível — ideal para acompanhar o sticky rice! 




As doses são muito generosas e podem perfeitamente ser partilhadas, como nós fizemos. No remate da refeição, apesar de já estarmos as duas muito satisfeitas, ainda acabámos por pedir duas sobremesas — muito especiais — para dividir. Penso que nesta secção da carta o chef terá dado o seu toque de mestre, incrementando algumas sobremesas europeias com os sabores e especiarias da Ásia, como é o caso do creme brûlée de coco, com lima, manjericão e erva príncipe.

Noutros casos manteve a receita original, importando-a directamente para a nossa mesa, como é o caso do mochi japonês, que nos é servido com um empratamento lindo e é, de longe, a sobremesa mais invulgar que já experimentei. No fundo, o mochi japonês é um bolinho feito com arroz glutinoso que envolve uma bolinha de gelado. Neste caso serviram-nos gelado de cacau, de chá verde, de limão e sésamo.



Para mim, a descoberta  Boa Bao trouxe a abertura de novas experiências, sabores distintos, uma aprendizagem culturalmente gastronómica e uma viagem pelos sentidos. Além disso, por ser um espaço tão giro, com um atendimento tão simpático e uma oferta tão variada, representa o exemplo perfeito de um sítio onde gostaria de levar as amigas, num próximo encontro. 

numa Lisboa cansada de clichés, uma lufada de ar fresco...

É assim que encaro este Boa Bao. Um sítio onde podemos aproveitar a nossa pausa na hora de almoço, ao balcão, com um chá gelado e um prato de noodles; onde nos podemos encontrar com a melhor amiga para um cocktail de fim de tarde, depois do trabalho; onde podemos jantar na intimidade a dois, numa ocasião especial ou onde podemos reunir aquele grupo de amigos, para por a conversa em dia num final de semana.

Apesar de não se aceitarem reservas, sugiro que passem por lá ao almoço ou cheguem cedinho, para jantar. E depois vou querer saber tudo!

Boa Bao
Lg. Rafael Bordalo Pinheiro 30
Chiado, Lisboa
Todos os dias
Das 12h às 23h 


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