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Barcelona #4

03 junho 2017

A manhã no mercado, o pequeno-almoço no Cometa, a subida tenebrosa até a Montjuïc, aqueles hamburgers do Bacoa, o Bairro Gótico e os melhores mojitos (e mais baratos) de sempre! Este quarto  e penúltimo — dia na cidade foi recheado de coisas boas, muitas caminhadas e outras tantas gargalhadas. Trouxe-nos várias dicas e sugestões preciosas (que adoraríamos ter lido antes de ir) por isso, continuem a ler o artigo e descubram tudo...


Acordámos super cedo. Queríamos aproveitar o dia ao máximo e se há coisa que me dá prazer é ver o raiar do dia, especialmente numa nova cidade. Sempre fui uma pessoa de manhãs! 

Eram 7h30 quando apanhámos o metro, naquela segunda-feira. E, apesar do serviço estar em greve e as carruagens estarem superlotadas, a verdade é que o tempo de espera não foi nada desencorajador (em vez dos habituais 3 minutos de espera, o metro passava de 8 em 8 — nada de grave, portanto). 

Saímos na Pl. Catalunya e descemos pelas ramblas, em direcção ao mercado.



La Boqueria

Já tínhamos passado de fugida neste mercado, logo no primeiro dia na cidade, antes de seguirmos para o espectáculo das fontes luminosas; aqui aproveitámos para comprar uns sumos de fruta e umas empanadas deliciosas para comer pelo caminho. Mas como eu adoro mercados, desencaminhei a minha irmã para me acompanhar numa outra visita, desta vez de manhãzinha, ao Mercat de San Josep, ou La Boqueria.


Situado no passeio de Las Ramblas, uma das principais artérias da cidade, este é um dos mercados mais antigos — e famosos — de Barcelona. Hoje em dia reune uma série de curiosos e turistas, que circulam por entre os locais e comerciantes, entre frutas, legumes, carnes e peixes, doces, chocolates, conservas e compotas. Ouve-se música de fundo, misturada com as exclamações entusiastas em várias línguas, que se funde com a vida do mercado.




O La Boqueria é uma adaptação muito simpática dos mercados de antigamente num registo mais moderno. Nas bancas de fruta podemos encontrar sumos frescos e naturais, copinhos com fruta descascada (a 1€ cada e com fruta deliciosa: foi o nosso primeiro pequeno-almoço desse dia!), por exemplo. Na zona dos enchidos, para além de podermos comprar para levar, ainda podemos petiscar alguma coisa no momento... e assim adiante.

No fundo, é o velho e o novo de mãos dadas, onde o "antigamente" é adaptado aos tempos modernos e o La Boqueria adquire um papel muito mais presente no dia-a-dia, transformando a ida ao mercado num ritual social e prazeroso.



Foi super divertido entrar no La Boqueria às 8h da manhã. Assistimos ao abrir do mercado, aos distribuidores que carregavam a mercadoria, aos comerciantes que dispunham os produtos, que nem artistas, nas suas bancas (...) enfim!, não há nada como acordar cedo e poder presenciar todo este acontecimento.


Depois de um copinho de fruta para cada uma, resolvemos continuar passeio, desta vez pelo El Raval. Tínhamos como destino um pequeno café de especialidade, que ficaria a caminho do funicular de Montjuïc. 

El Raval

Para nós, este foi o bairro mais estranho de Barcelona. Não que fosse menos bonito, porque tinha imensas fachadas bonitas e muitas singularidades. Mas assim que nos aventurámos pelas ruas mais estreitas e menos turísticas, acabámos por encontrar toda uma zona dedicada a comércios e negócios paquistaneses. Afinal (viemos depois a descobrir), esta zona é chamada de Pequena Islamabad precisamente devido à população que lá habita.


Eis que, finalmente, chegamos ao nosso destino. Entretanto já havíamos passado por um ou outro café que estava na minha lista (esta é uma zona muito boa para quem gosta deste tipo de espaços) mas era este, em particular, que me havia cativado. Chamava-se Cometa e nós estávamos super entusiasmadas por o conhecer...



Cometa Café

Situado já no Bairro de Sant Antoni, numa esquina florida, este é um café de especialidade que contempla também uma pequena galeria. Foi um dos nossos sítios predilectos para tomar o café da manhã, com várias opções para todos os gostos. Passavam poucos minutos 9h mas o Cometa Café já estava com alguma afluência. Sentámo-nos sem demoras e ficámos ali, assim, a admirar o espaço e as ilustrações que adornavam a parede, enquanto nos deliciávamos com as opções do menu.


Já tínhamos comido qualquer coisa em casa e depois, no mercado, ainda pedimos uma taça de fruta fresca para cada uma. Por isso, agora, só nos apetecia um bom café quente e algo doce, para nos dar energia para o resto do passeio.




Entre as torradas e tostadas, sandes e saladas, as nossas opções acabaram por ser as mais gulosas: um croissant de chocolate para mim e uma cookie com pepitas de chocolate para a Sofia. Em comum pedimos os cappuccinos, aveludados e com um café aromático muito saboroso. Os croissants, tenho a dizer-vos, eram deliciosos. A massa estava no ponto e aquele chocolate era o céu...



A pausa no Cometa Café foi essencial para recuperar do passeio matinal. Por isso estivemos ali um pouco, sem pressa, sentadas as duas a degustar o nosso pequeno-almoço, aproveitando para rever aquilo que queríamos fazer nesse dia.

A próxima paragem seria o funicular de Montjuïc, que sabíamos estar incluído no passe de transportes que comprámos. Recorremos novamente ao Google Maps e seguimos as indicações sem hesitar. 

Mal sabíamos nós... 


...que íamos subir, a pé, o equivalente a 32 andares para não apanhar funicular nenhum!

Ora, corda nos calcanhares e ala que se faz tarde. Seguindo as indicações do maps, subimos umas escadas que nunca mais acabavam mas que nos levariam (achávamos nós) até ao funicular de Montjuïc, para depois então irmos sentadinhas e descansadas da vida até ao castelo.

Não foi nada disto que se passou. E tomem nota: o funicular que vos leva a Montjuïc deixa-vos na base do teleférico e não vos leva ao castelo. O funicular, incluído no passe de transporte, pode ser apanhado na parte baixa da cidade, no El Paral·lel e termina na base da encosta. Ou seja, se quiserem continuar até ao castelo ou vão de teleférico (8€ ida ou 12€ ida/volta), ou vão a pé ou — como descobrimos depois — vão de autocarro, também incluído no passe.




Basicamente, aquela subida demoníaca acabou por ser desnecessária, já que estaria coberta pelo trajecto do funicular. Assim que percebemos o que se estava a passar (e o porquê de não conseguirmos encontrar o funicular para subir até ao castelo) e depois de nos recusarmos a pagar 12€ cada uma para subir de teleférico — mas sem desistir de ir ao castelo — encontrámos um senhor que nos indicou um autocarro (nº 150) que nos levaria mesmo à porta do castelo. Foi a nossa salvação!


Castell de Montjuïc

No alto do Parc Montjuïcencontramos a emblemática fortaleza, elevada em mais de 170 m relativamente ao nível do mar. Com uma localização privilegiada, a visita ao Castell de Montjuïc prima precisamente pelo privilégio de podermos observar a cidade, lá em baixo, na sua totalidade. O passeio permite-nos ter uma visão 360º de Barcelona, desde o mar à montanha, passando pelo porto de recreio até à Sagrada Família. 

Reconhecer os pontos que, nesta altura, já visitámos e identificá-los naquela malha ortogonal é um exercício muito divertido, pelo que sugeria que visitassem o castelo depois de explorarem a cidade. 

A entrada no Castelo tem um custo de 3€ (para menores de 29 anos) e, para além da fortaleza e daquela vista incrível, podem ainda visitar um núcleo museológico, instalado no inferior do castelo, que nos revela um pouco da história do forte e da cidade.


A paragem que se seguia era o ponto de encontro com a Matilde. Resolvemos almoçar numa hamburgueria muito badalada antes de nos aventurarmos no Bairro Gótico. O restaurante que nos recebeu situava-se perto das ramblas, na Carrer de Ferran, e era um dos 6 espaços em Barcelona do Bacoa Burger.




O sistema de pedido é muito divertido. Com um pequeno papel e um lápis escolhemos o tipo de pão que preferimos, qual a carne que gostamos e a combinação de ingredientes que queremos. Entregamos o dito papel no balcão e, depois de pagar (um almoço fica mais ou menos a 10€/pessoa), podemo-nos sentar tranquilamente e aguardar pela nossa refeição.




Bacoa Burger

Uma cozinha honesta, com produtos de qualidade e serviço super rápido. É aquele tipo de not-so-fast-food que nos permite rentabilizar a refeição (não só em termos de horários mas também financeiros) e comer bem. Muito bem. Os hamburgers são super bem servidos e muito deliciosos. As batatas são pedidas à parte, pelo que podem escolher de diferentes tipos para partilhar (desde as patatas bravas às french fries, são todas uma delícia!).

Saímos de lá tão satisfeitas que nem tivemos coragem de pedir uma sobremesa. Resolvemos continuar passeio — e desmoer o almoço — pelas ruas da cidade.




A rua deste Bacoa levou-nos em menos de nada até à Plaça Reial. Uma pequena praça, vestida de pedra branca e fachadas amarelas, fontes bonitas e palmeiras imponentes que lhe conferiam um ar bem tropical. É nestes pequenos apontamentos que Barcelona é diferente de todas as outras cidades que conheço...


El Gòtic

O Bairro Gótico é um dos quatro bairros que formam o distrito de Ciutat Vella, em Barcelona. É o núcleo mais antigo da cidade, reunindo alguns dos monumentos mais emblemáticos do centro histórico. O nome do bairro é precisamente uma referência ao estilo gótico predominante nas construções. 

É um bairro muito bonito e castiço, com ruas estreitas, iluminadas pelo sol de fim de tarde entre as folhagens. Tem imensa vida e vários estabelecimentos comerciais, uns mais tradicionais, outros mais modernos. Lojas, restaurantes, cafés e pastelarias. Encontramos vários largos, pequenos jardins, fontes, museus e monumentos, dos quais destacamos a Catedral de Barcelona.



Passeámos muito, conversámos ainda mais e quando demos por nós já estávamos a caminho do bairro El Born. Aqui conhecemos uma Barcelona mais medieval, que se apresenta através de edifícios e monumentos revestidos de pedra escura, carregados de história e cultura.

Este bairro é conhecido não só pelo Mercado El Born (que, àquela hora, já estava fechado), ou pelo Museu Picasso mas também — e sobretudo! — pela rota das tapas e enorme oferta de gastronomia local.


Não íamos propriamente à procura de tapas, mas sabíamos que no Alsur Café (que já tínhamos visitado na primeira noite) iríamos encontrar o melhor bolo red velvet e os melhores — e mais baratos mojitos de sempre... e nós assumimos que, às 16h, já estava oficialmente aberta a happy hour! 



Alsur Café

Em Barcelona encontramos três espaços Alsur Café. Nós já conhecíamos o de Palau e hoje visitávamos o do El Born. Os espaços apresentam uma decoração muito semelhante, o que cria aquele ambiente familiar, mas acabam também por ser bastante distintos, já que o primeiro tinha mesas baixas e pouca luz (sendo ideal para um cocktail à noite) e este segundo já tinha grandes janelas e mesas compridas (perfeito para um brunch de fim-de-semana).




Sem grandes artifícios mas com peças bem originais, o espaço é bastante descontraído e faz-nos sentir em casa. Grandes sofás, poltronas confortáveis, uma playlist agradável e os melhores mojitos de sempre!

Eu sei, eu sei: eu digo sempre isto. Mas eu adoro mojitos e estes, para além de serem deliciosos, eram super baratos. Cada mojito (muitíssimo bem servido) custava 3.70€ — o que até aqui em Lisboa é difícil de encontrar! Pedimos um para cada, como quem bebe o seu chá da tarde, e a acompanhar partilhámos uma fatia do famoso bolo red velvet. Doce demais para mim, perfeito para elas.



Depois de um momento a descansar e a partilhar todas as histórias divertidas da viagem, acabámos por continuar o passeio, agora sem destino.

Passámos por uma das lojas que havia colocado na lista, como sendo um must see. E fiquei radiante! Pena tenho eu de não ter conseguido visitar as outras lojas que tinha anotado. Ainda assim, conheçam a Chandal.



chandal store

Num espaço partilhado com a Impossible Barcelona, a Chandal é uma loja onde o especial foco de interesse passa pela área da fotografia, com muito material fotográfico e de fotografia instantânea, apresentando ainda publicações de vanguarda e uma selecção curada das melhores revistas de especialidade.


Para além disto, podemos ainda encontrar uma série de peças de decoração, mobiliário e jogos infantis, todos eles super originais. Num ambiente meio nórdico e um pouco cru, a loja é perfeita para quem (como eu) adora design, fotografia e decoração.



Para terminar o nosso quarto dia na cidade, antes de regressarmos a casa para jantar, resolvemos parar num outro café que estava na minha "to go list". Mas como o Nømad Café já estava fechado quando lá chegámos (pelos vistos encerra às 18h em ponto), acabámos por ir a um outro que se veio a revelar uma surpresa.


Organic Cafe

O Buenaventura Café foi uma agradável descoberta e a prova de que não precisamos de estar sempre cingidos a um roteiro pré-definido. Sentarmo-nos ali, sem saber ao certo o que esperar, deu-nos tempo para apreciar com outros olhos o que nos envolvia. O espaço era giríssimo, super original (e aquele papel de parede era um sonho!) e muito aprazível.


A oferta é centrada nas opções veggie-friendly mas o BV assume-se como um café orgânico e food market, com refeições vegan, vegetarianas e flexitarianas feitas com amor — e muito sabor. Pedimos apenas um aperitivo, já que íamos jantar em casa. Escolhemos os nachos, servidos com guacamole e pico de gallo, que estavam uma delícia. A dose rondava os 6€ pelo que, em jeito de brincadeira, o aperitivo ficou a 2€ por pessoa. Nada mau, se tivermos em conta que estamos em Barcelona e num espaço giríssimo!


De volta a casa, demos o nosso penúltimo dia por terminado. Amanhã levamo-vos a visitar um dos cafés mais bonitos de sempre, perto da Torre Agbar, um espaço de co-work e um café bem original, uma galeria de arte e oficina de serigrafia e mostramo-vos o nosso sítio preferido (de todos) para um brunch ou almoço delicioso e bem tropical. 

Vemo-nos por aqui?

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