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Barcelona #3

02 junho 2017

A visita ao Parc Güell, o passeio pela Barceloneta, uma pizzaria giríssima, os gelados mais originais de sempre, a Catedral e aqueles cupcakes caseiros deliciosos! Este é o resumo do nosso terceiro dia em Barcelona. Um dia de sol, com muitas peripécias e gostosuras que vocês vão querer conhecer!


Depois da nossa chegada e de um segundo dia cheio de emoções, tínhamos decidido que domingo seria o dia perfeito para percorrer a cidade de lés a lés. Um passeio pelo meio do verde e um almoço à beira-mar. Era o último dia da Cláudia em Barcelona e por isso planeámos ir ao Parc Güell de manhã e almoçar a Barceloneta

Acordámos cedinho e fomos logo para a paragem de autocarro ao pé da casa da Matilde. Esperava-nos uma viagem de 30 minutos até ao parque... só que não. Não havia autocarro!


  

Não precisámos de muito tempo para perceber que a paragem, sem vivalma, estava encerrada. Aliás, um comunicado bastante visível indicava que "hoje, domingo, por causa da maratona, aquele autocarro não iria circular". E quando tudo falha, há sempre o Cabify. Em menos de nada estávamos a entrar no nosso carro, a ouvir despacito e demorámos apenas 15 minutos até chegar ao Parc Güell.




Parc Güell

O Park Güell é um grande parque urbano, situado no distrito da Gràcia, desenhado pelo arquitecto Antoni Gaudí. É mais um maravilhoso reflexo do seu desenho e expoente máximo da sua criatividade. 

O parque é muito grande e pode ser visitado livremente quase na sua totalidade. Podem levar um livro, preparar uma cestinha de piquenique ou alinhar numa jogatana de cartas e aproveitar um dia de sol. Há, no entanto, uma zona em que a entrada é paga — que é a zona monumental — que foi precisamente o que fomos visitar.

Já tínhamos comprado os ingressos online (7€/pessoa) e, como tínhamos que seleccionar a hora da visita, acabámos por marcar para as 9h30 — para aproveitar bem o dia! A entrada fez-se sem qualquer problema, sem filas nem demoras. 


Estava um dia lindo! Assim que passámos o controlo de segurança e nos apercebemos do privilégio que é observar (e absorver) toda a magnificência daquele espaço, ficámos sem palavras. Estávamos ali, as três (a Matilde ficou à nossa espera na zona de acesso livre do parque), a admirar aquela vista incrível, o céu azul, o miradouro emoldurado com os bancos sinuosos, cheios de pequenos azulejos e mil cores.

É mesmo um must go em Barcelona, apesar de ficar um pouquinho fora do centro e estar cheio (mas cheio!) de turistas. Lembram-se de ter comentado que tinha ficado surpresa com a Casa Batlló, que não tinha muitos turistas? Pois bem: o mesmo não posso dizer do Parc Güell. Grupos e grupos de turistas em massa estavam de um lado para o outro no parque, dominando toda e qualquer brecha para fotografar o que quer que fosse. E eram apenas 9h da manhã!

Tirando a enchente de gente (...) todo o passeio merece tempo para ser aproveitado ao máximo. 


O Parc Güell, encomendado pelo empresário Eusebi Güell, tinha como raiz a ideia de uma pequena cidade-jardim, com moradias para algumas das famílias mais endinheiradas da região. No total seriam construídas 40 casas unifamiliares. Contudo, apenas duas casas foram construídas — uma delas ocupada pelo próprio Gaudí, que é hoje a sua casa museu — e algumas áreas comuns, como os pavilhões da entrada ou a grande escadaria com o lagarto, por exemplo.




alguns dos marcos mais significativos do projecto: 

No piso térreo, da entrada, não conseguimos ficar indiferentes ao viaduto do algorrobo, uma estrutura em pedra trabalhada em torcidos, que nos lembra uma grande onda do mar, criando uma ilusão de profundidade e perspectiva maravilhosa.

Mais à frente, as três fontes que ornam a escadaria principal, onde numa delas encontramos a famosa salamandra de Gaudí, que viria a ser um dos símbolos mais utilizados na associação a Barcelona, tornando-se num ícone.

Também não podem mesmo perder a sala hipostila, onde se erguem 86 colunas trabalhadas que terminam num tecto maravilhosamente ornamentado, ondulante e cheio de mosaicos coloridos. Nas quatro rosetas principais do tecto encontramos representadas as quatro estações do ano. Ficámos fascinadas — e corremos o risco de ficar com um torcicolo desgraçado, de tanto andar a olhar para o tecto — porque tudo ali é incrível, como nunca antes visto. 




E se continuarmos a subir, pelas escadas que ladeiam a sala hipostila, vamos dar à grande praça do Parc Güell, onde não só encontramos os famosos bancos ondulantes como também somos presenteados com uma vista de perder de vista. Lá de cima conseguimos ver Barcelona na sua extensão, até ao mar. É um dos melhores miradouros da cidade.

Aqui, neste terraço amplo, podemos sentar-nos no banco que desenha o perímetro da praça, ondulante, cheio de pequenos fragmentos de cerâmica esmaltada, de várias cores e formato. Esta técnica de revestimento, que está presente em toda a zona monumental do parque, é chamada de trencadís e acabou por ser a assinatura do trabalho do arquitecto, Antoni Gaudí — de quem fiquei rendidamente apaixonada.


O passeio levou-nos cerca de hora e meia e depois de nos reunirmos com a Matilde fomos até à paragem de autocarro, que nos levaria até a estação de metro mais conveniente para descermos até ao mar, à La Barceloneta. Nestas andanças, não há nada como o nosso amigo Google Maps. E assim foi. Ou melhor, assim fomos...



Era domingo e estava um dia de sol lindo. Por isso, as ruas estavam cheias de pessoas que passeavam, que andavam de bicicleta, que estavam entre amigos ou com a família, que procuravam uma esplanada para tomar algo fresco, que estavam na praia, davam mergulhos no mar (...) pessoas de lá, pessoas de todo o lado — em todo o lado. 

Mais uma vez, sinto que as minhas fotografias não fazem justiça à cidade, mas sinto também que, desta vez, consegui aproveitar muito mais a viagem sem estar sempre presa à pressão de fotografar, entendem? Ainda assim, vamos falar de La Barceloneta...


La Barceloneta

É um bairro costeiro, situado no Distrito de Ciutat Vella de Barcelona. Uma zona muito bonita, onde o verde e o azul se misturam numa fusão harmoniosa. Temos a paisagem montanhosa ao fundo e o mar tranquilo junto à praia. As várias palmeiras que estão plantadas ao longo de todo o percurso dão um ar muito tropical, que acabam por tornar a cidade ainda mais especial (não temos este ambiente em Madrid, por exemplo).

Assim que saímos do metro (linha 4) seguimos logo pelo Passeig de Joan de Borbó, onde podemos ver o Port Vell — o antigo porto de Barcelona — a marina, os vários hotéis, lojas e restaurantes. Tudo ali era bonito, a começar na arquitectura, no largo passeio pedonal, passando pelos vários toldos, às riscas azuis e brancas, que decoravam as fachadas dos prédios baixos.


O nosso passeio por La Barceloneta não podia ser muito alongado, já que a Cláudia tinha um avião para apanhar. Ainda assim, era imperativo conhecer a zona marítima da cidade e foi lá que escolhemos almoçar naquele domingo soalheiro. 

Nas divagações pelas ruas pequeninas ainda vimos o final do castelo humano, que é uma tradição da cidade; los castellers fazem um género de pirâmide humana, num exercício de força e equilíbrio, e acabam por entreter os demais com aquela exibição, que é quase uma celebração de fim-de-semana, juntando vários curiosos. 



Neapolitan Authentic Pizza

O restaurante do almoço foi uma sugestão da Matilde. Mais uma vez, well done Matti! Levou-nos a um pequeno restaurante italiano e prometeu-nos que íamos saborear as verdadeiras pizzas napolitanas. Bem, se são como as verdadeiras não sei; mas sei que são deliciosas! O Nap - Neapolitan Authentic Pizza existe em vários pontos da cidade (creio que em Barcelona são cinco os restaurantes) e nós acabámos por ir ao da Barceloneta. Ficou super aprovado: a começar no atendimento, muito simpático e ágil, passando pelas pizzas (combinações deliciosas e ingredientes de muita qualidade) a terminar no preço. Uma pizza para cada e uma bebida ficou a menos de 10€ — o que é uma óptima relação qualidade preço — e nenhuma de nós ficou com fome. Muito pelo contrário!


 

Eyescream & Friends

Para terminar o passeio com chave d'ouro, tínhamos planeado tomar a sobremesa numa geladaria que já me tinha cativado pelo instagram. A Eyescream & Friends é um conceito adorável e super original. Os gelados são servidos como se de pequenos monstrinhos se tratassem. São todos à base de frozen yogurt e a loja funciona como um grab & go.

Assim que entramos podemos escolher se queremos um tabuleiro (com opção de dois toppings — e um design giríssimo!) ou um copinho. Nós optámos por partilhar, então pedimos apenas dois tabuleiros para as quatro — só para verem como estávamos cheias do almoço.

O meu e da minha irmã era o Wild Willy, de frutos do bosque, e para acompanhar escolhemos a cookie e doce de leite. Mas todos os outros sabores eram, no mínimo, super divertidos. Tínhamos por exemplo o Bob Mango, o Sad Tom ou a Miss Fancy e vários (váriooooooos) toppings para escolher, desde frutos secos, gomas, geleia, chocolate, caramelo, etc.

É, ou não é, de gritar por mais?



Levámos os nossos monstrinhos para junto da marina e ficámos ali, à conversa, refugiadas debaixo da sombra de uma árvore, a ouvir os artistas de rua tocar violino, a absorver toda a vida daquela zona — e todo o encanto desta cidade.

O passeio que se seguiu levou-nos até às ramblas e a última paragem com a Cláudia foi no El Bosc de les Fades. Já tínhamos ouvido falar deste café/bar várias vezes e, como ficava em caminho, resolvemos parar para espreitar.



Apesar de não termos consumido nada, o El Bosc de les Fades é um espaço carismático, com um ambiente místico, com muito pouco luz e todos os elementos chave de um verdadeiro bosque das fadas. Lanternas suspensas, árvores e muita vegetação, pequenas luzes que nos fazem lembrar pirilampos (...) enfim, todo um aparato que nos leva para um universo mágico do nosso imaginário.


El Bosc de les Fades

Fica junto ao Museu da Cera e percebe-se por isso o ambiente temático, quase teatral. Se forem a Barcelona, num dos vossos passeios pela La Rambla, passem por lá. Penso que o consumo é um pouquinho caro (não vos sei precisar com certeza) mas entrem mais que não seja para satisfazer a curiosidade. Não vos dizem nada, aliás!, já devem estar habituados. É que o espaço é tão giro que merece mesmo a visita.




Enquanto a Matilde foi levar a Cláudia ao aeroporto, eu e a minha irmã ficámos a deambular pela cidade. Passeámos pelo Bairro Gótico, vimos vários cenários lindíssimos de casas, fachadas, ouvimos vários músicos de rua, perdemo-nos nas  ruas e ruelas e fomos conduzidas até à Catedral de Barcelona.

Catedral de Barcelona

Sabia que, em determinados horários, a entrada era livre (noutros só mediante donativo). Percebi, também, que o horário livre era durante as missas, altura em que parte da Catedral se encontrava encerrada ao comum turista. Nós acabámos por visitar a Catedral num desses horários de missa e, apesar de não termos percorrido a nave central de ponta a outra nem de termos conseguido fotografar o interior, serviu perfeitamente para contemplar a bonita arquitectura, os vitrais coloridos e trabalho em pedra.

À saída, quando seguimos por uma das ruínhas laterais do monumento, demos com os claustros da Catedral que são de acesso livre e são lindíssimos! Têm que passar por lá também...


Encontrámo-nos mais tarde com a Matilde e antes de seguir para casa fizemos uma paragem que há muito andávamos a ansiar. Fomos buscar a nossa sobremesa do jantar dessa noite — acabámos, quase sempre, por jantar em casa, por uma questão de comodidade. Então o nosso guilty pleasure dessa noite foi um cupcake delicioso da Cup & Cake Handmade Bakery.




Cup & Cake

Também podem encontrar várias lojas Cup & Cake espalhadas pela cidade. A nossa visita foi a uma bem pequenina, que ficava sempre no caminho de regresso a casa, na Carrer de Tallers (onde fomos jantar na primeira noite), perto do metro da Universitat.  

O forte deste espaço são mesmo os cupcakes, de vários sabores e várias coberturas, mas o que o diferencia são os ingredientes frescos, de produtores locais, que resultam numa cozinha consciente (vimos muito disso em Barcelona), diversificada e mais saborosa.




Pedimos dois bolinhos para levar e seguimos até ao metro. Dávamos agora o terceiro dia por terminado e tínhamos na agenda "deitar cedo", já que o quarto dia iria começar bem de manhãzinha — como eu gosto!

Para já, não deixem de ver o nosso primeiro e segundo dia de viagem. Amanhã estamos de volta, com energias redobradas e muitas saudades de Barcelona. 

Vamos levar-vos ao Mercado La Boqueria, a um café imperdível, ao Castelo de Montjuïc, àquela hamburgueria deliciosa, ao Bairro Gótico e ao Alsur Café.

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