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Até nunca.

21 junho 2016

Este é um post pessoal. Um desabafo. E um apelo ao bom senso. Neste momento estarei longe de casa, com quem me faz bem e a aproveitar cada bocadinho de um dia que está lindo — assim espero que esteja. Mas na altura em que escrevo este post escrevo-o com o peso de uma injustiça nos ombros. Às vezes o silêncio é de ouro. Outras vezes mata. E é sobre isso que vos quero falar.


Fui indicada por uma amiga para um trabalho. Esse trabalho seria fazer a gestão de redes sociais de um estabelecimento. Anuí um valor que, embora saiba que é um valor baixo para os preços que se praticam no mercado, me pareceu justo. Mais que não seja, para o primeiro mês de trabalho, que é sempre "aquele" mês à experiência. Neste caso, o mês à experiência concluiu o meu único mês de trabalho naquela casa. 

Porquê?
Passo a explicar. 

Combinei uma reunião com essa minha amiga e com a dona do estabelecimento. A reunião estava marcada para as 10h. Às 9h30 eu cheguei, com algum tempo de antecedência para me preparar, como sempre faço. Às 10h e pouco chegou a minha amiga. Passaram as 10h30, as 11h (...) e nem sinal da dona do estabelecimento. Passaram as 11h30 e ela lá nos ligou a "avisar que estava a chegar". Nem um "desculpem-me", nem um "lamento ter-vos feito esperar". Nada. Passava já das 11h30 e a dona do estabelecimento lá se juntou à nossa reunião. 

Eu tinha preparado uma pequena apresentação com algumas sugestões de publicações e alterações a serem feitas nas redes. Avancei nesta base porque a senhora tinha dito que era comigo que queria trabalhar, que aceitava o meu valor e as minhas condições. Então esmerei-me na reunião. Queria mostrar-lhe que o benefício da dúvida iria trazer frutos, que eu era competente e que tinha boas ideias para dinamizar as redes sociais do espaço, bem como o próprio espaço. E as minhas condições nem eram assim tão condicionantes: o pagamento deveria ser feito no final do mês e não incluía qualquer serviço de fotografia no (mísero) orçamento. Ela aceitou.


Ainda fiz fotografias de graça — mas sem graça nenhuma.

A meio do mês de Maio marcámos a segunda reunião. A reunião seria com outra dona — também ela muito dona — e ficou agendada para as 13h. O certo é que a outra dona não apareceu. Não disse nada. Não avisou. E ninguém sabia que eu ia lá fazer fotografias. Sim, leram bem. Fazer fotografias — claro está, de graça. O coitado do rapaz que lá trabalha lamentou-se e eu disse que avançaríamos na mesma com as fotografias, mesmo sem a outra senhora estar presente.

Desta vez já eu tinha cedido à pressão de ter boas imagens para partilhar nas redes e como a senhora queria implementar uns serviços novos, aceitei fazer as fotografias todas desses serviços — sem cobrar nem um cêntimo a mais. Fi-las. Ficaram muito bonitas. Editei-as e enviei para a senhora. Mais uma vez, nem um "obrigada", "ficaram lindas", nem tão pouco um "desculpa não ter ido à reunião". Nada.


E ainda queriam mais fotografias — de graça.

Por altura da minha ida a Madrid, no final do mês de Maio, a senhora envia-me um e-mail muito indignada, onde dizia que eu devia fazer mais fotografias do espaço e ambiente, sobretudo à noite. Se assim não fosse, perguntou-me se eu lhe arranjava alguém que lhe fizesse esse serviço sem cobrar mais nada.

Respondi-lhe que não, não conhecia ninguém que fosse para Lisboa três noites por semana, sem cobrar nada e disse-lhe que eu não conseguia assegurar esse serviço (muito menos pelo valor mensal acordado).


Fim do mês — e pagamento nem vê-lo.

Continuei o meu trabalho. Todas as semanas enviei um plano de publicações e uma agenda de posts para elas aprovarem. Nunca aprovaram nenhum plano meu. E eu — para que a página funcionasse — ia publicando, no facebook e instagram, caprichando na interacção com os seguidores, nas imagens que publicava, ainda cheia de entusiasmo. 

Nunca me manifestei em relação à falta de respeito da senhora, que chegou hora e meia atrasada à primeira reunião, nunca abri a boca em relação outra dona nunca ter aparecido na segunda reunião, nem tão pouco me chateei com o tom impertinente do e-mail da senhora que me exigia fotografias, à noite e de graça — pior mesmo do que o tom do e-mail, só a forma como estava escrito. Uma criança escreveria melhor, acreditem. Senão, comprovem:

As fotos iao antes para o nosso Facebook. E os clientes estao a nos perguntar por elas. Nao e possivel as sexta e sabados ter alguém a tirar fotos para cerem publicadas ?
[fonte: copy/paste do email da senhora]

Exacto. É doloroso de ler. O fim do mês chegou e eu já me tinha decidido que não queria continuar a "colaborar" com esta senhora. Mas já estava receosa que, se eu o dissesse antes de Maio acabar, ela não me pagasse. Então enviei-lhe um e-mail no final do mês onde apresentei mais uma semana de posts (que sairiam em Junho — já lhe estava a dar esse bónus, para além das fotografias) e lhe falei do referido pagamento. Enviei-lhe os meus dados e pedi-lhe também os dados de facturação. Isto a 31 de Maio.


Entrou Junho e o dinheiro de Maio — nada.

Não obtive resposta a esse e-mail. Os posts saíram na primeira semana de Junho, a horas, dois por dia, no facebook e instagram. Nunca chegaram a ser aprovados. Entretanto, acabei por lhe enviar um outro e-mail a 5 de Junho e ela lá me respondeu no dia seguinte, a dizer que precisava do recibo — mas não comentou os posts que publiquei e não me deu os dados de facturação. Respondi-lhe.

Com a ausência de resposta dela, enviei um outro e-mail a 11 de Junho, ao qual a senhora não me respondeu. Voltei a insistir, a 14 de Junho. Nada. Sinal do pagamento é mentira e os dados para facturação é brincadeira. 

Como devem calcular, durante esse tempo (depois da primeira semana de Junho) não publiquei nada — nem me preocupei. Para mim era certo que não ia voltar a trabalhar com elas.

A 16 de Junho envia-me um e-mail a dizer que "a transferência foi feita". Não consegui confirmar e, sinceramente, custava-me a acreditar. 


Sou pouco profissional...

No sábado seguinte, dia 18 de Junho, ligou-me várias vezes e mandou-me mensagens. Disse-me que eu era pouco profissional e que já não publicava nada há imenso tempo no facebook. 

Falta de proficionalismo para nao dizer pior. A muito que nao publica nada no Facebook. Podia pelo menos informar. Tera de passar recibo Ou que declarar seu trabalho nas financas.
[fonte: copy/paste da mensagem da senhora] 

Não atendi, nem respondi — como podem imaginar, não me apetecia chatear no fim-de-semana. Tinha pensado responder-lhe na segunda, para lhe voltar a pedir os dados de facturação e frisar bem claro que não ia continuar a trabalhar com ela.

A lata da senhora, que não me respondia aos e-mails e já íamos a meio de Junho e ela ainda não me tinha pago o mês de Maio nem tão pouco dado um esclarecimento.


...e difamadora — ainda por cima!

Claro está que fui mantendo algumas amigas a par da situação, pois elas já andavam a acompanhar esta história há muito tempo e até costumam frequentar a zona onde o estabelecimento se encontra.

Ao que parece, em jeito de revolta solidária — e porque o espaço é muito mal explorado, isso posso assegurar-vos eu (não pelo rapaz que lá está a servir, ele é um querido) — uma das minhas amigas deixou uma crítica negativa na página. Eis a mensagem da senhora:

2 a minhas suas [deduzo que ela queira ter escrito duas amigas suas] estao a dizer mal do meu espaco sem nunca ter estado la. Isso é crime. Difamacao. A minha advogada amanha ja entra com o processo. Voce nao tem principios. Que vergonha. Vou colocar nas redes sociais o trabalho que voce presta.
[fonte: copy/paste da mensagem da senhora] 

Podia acabar aqui o meu post e deixar espaço para um momento de reflexão...

Mas a verdade é que isto é surreal. Primeiro, as minhas amigas já lá estiveram sim — e partilho da mesma opinião que elas. De tal forma que até eu já me tinha manifestado em relação a isso, Agora, depois de eu ter feito o meu trabalho durante o mês de Maio e na primeira semana de Junho, sem qualquer feedback da parte da senhora, sem qualquer esclarecimento, sem nenhuma justificação do atraso e ainda depois de lhe ter feito uma série de fotografias pro bono...acho que ela nem devia argumentar coisa alguma.

E quanto ao resto, bem...está claro que esta senhora — que de senhora nada tem — não é alguém com quem eu queria continuar a trabalhar e não o aconselharia a ninguém (nem ao meu pior inimigo). Ao menos o dinheiro de Maio caiu na minha conta; a meio do mês de Junho e sem grandes justificações, mas caiu. Dados de facturação é que ainda não tenho. Adorava passar recibo, mas a senhora está mais preocupada em ler as críticas da página.

A essa "senhora", desejo tudo de bom (bom senso, sobretudo) e até nunca.

12 comentários

  1. Sarinha!! Como eu percebo!! Bem vinda ao mundo da gestão das redes sociais!! A nossa primeira experiência também foi mais ou menos assim, com a diferença que o dinheiro nunca o vimos! Lol fotos de graça, gestão de facebook e instagram durante um mês e meio, agendamento de reuniões a que o dono do estabelecimento nunca apareceu! Já lá vai um ano e meio! Mas acredita que estas coisas nos fazem crescer e no mesmo erro não vais cair mais!! ;) *

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  2. QUE MEDO. Há pessoas sem ponta de dignidade. E pelo que vejo do comentário da Marta é mal comum...totalmente indecente. Ainda bem que te livraste dela - e basta a qualquer comum mortal procurar o teu nome durante 5 minutos para perceber que fazes um excelente trabalho (e ainda abusam de ti)...força, respira fundo, e segue <3

    Jiji

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  3. Que história inacreditável! Lamento imenso que isso tenha acontecido, que nunca se repita!

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  4. Infelizmente maus clientes há em todos os trabalhos. Nunca apanhei, na minha curta jornada de freelancer, clientes injustos, difamadores e com falta de profissionalismo e respeito. Mas li este post inteiro a pensar "pode acontecer a ti, Krystel". E pode. Mas no fim, o importante é ficarmos com a consciência que somos profissionais e que fizemos um excelente trabalho. Os bons vão continuar a vir.

    Algo Estranho Acontece

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  5. Tanto que eu podia dizer sobre PATRÕES mentirosos, ladrões, más pessoas, sem noção de como gerir pessoas. Continuo a acreditar que o Karma trata do resto :) E sempre que for ao Lx Factory, nunca mais vou lá passar!!

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  6. Este caso é absolutamente surreal... Desde a falta de ética e profissionalismo da pessoa em causa, passando pela insistência em que trabalhes de graça, pelo péssimos português dela, indo desaguar maravilhosamente no facto de ainda mandar vir com as reviews na página de Facebook do estabelecimento.

    Acho muito engraçado as pessoas criarem páginas para os seus estabelecimentos e encorajarem as votações e as reviews, mas se forem más, aí não! Aí é difamação! As reviews só podem ser positivas, obviamente. Enfim.

    Quanto a este post, louvo-te a atitude, Sara. Por um lado gostei de ler este registo mais pessoal teu e, por outro, não consegui reparar no facto de estar tão bem escrito (também em comparação com o português da senhora ahahah). Muita sorte teve ela de seres uma senhora e teres classe, caso contrário este post estaria cheio de nomes e links (que era o que ela merecia, btw). :P

    Joan of July

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  7. Infelizmente há muita gentinha dessas. Tenho tido alguns episódios assim com o design gráfico. Enfim, é triste mas é de louvar os bons que existem! Força, não estás sozinha nessa luta!!*

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  8. Compreendo bem, Sara. E é rara a vida de trabalhador independente sem dissabores destes, que conheço pela minha própria experiência e pela experiência indirecta de amigos em profissões criativas, a maioria em carreiras como fotógrafos e designers gráficos/ de comunicação.
    Infelizmente existirão sempre pessoas com falta de carácter mas vamos aprendendo a lidar com estas situações e a criar defesas sendo cada vez menos tolerantes ao mínimo sinal de falta de respeito e de profissionalismo.
    Felizmente há o reverso da medalha e com certeza muita gente que te valoriza e ao teu trabalho! :)

    Um beijinho grande e força!

    --
    Sofia | Seventeen Seconds

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  9. Que história meu deus! A forma tenebrosa com que a senhora escreve, não tem escrúpulos nenhuns, culpando os outros pela falta de profissionalismo dela. Estou parva!

    Giveaway de um colar de 2 camadas com a Born Pretty ♥

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  10. Que falta de profissionalismo, de educação, de ética, enfim, de tudo!! Que tristes essas duas ''senhoras''. Gozarem e ainda se fazerem de ofendidas, com quem trabalha.

    Um beijinho e força, Sara.

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  11. É uma pena realmente situações como estas. Há pessoas que só pensam no seu umbigo e quanto mais trabalho de "borla" melhor. Não sabem manter relações profissionais com as pessoas. Acho sinceramente que fizeste o teu melhor e acima de tudo fizeste o esforço de te preocupares em fazer um bom trabalho - por isso não te podem acusar de falta de profissionalismo. Às vezes são precisos trabalhos como este para se perceber que dizer não também faz parte.

    Adoro o teu blog, já o sigo há algum tempo e nunca cá vim escrever, mas esta situação é-me muito familiar. E não podia deixar de te escrever uma coisinha bonita. Continua com o bom trabalho que maravilhas vêm aí com certeza e esta história será apenas uma pedra na calçada que pisas.

    Beijinho,
    Liliana Assunção Cruz

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  12. É uma desvalorização descomunal.
    É que no estado em que este país vai qualquer dia temos que pagar para trabalhar!! Devias não ter também o bom senso e partilhar de que local se trata que é o que ela merecia... Mas és superior a isso! :) Continua assim! :D

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