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OH, PARIS #3

29 setembro 2015

A cidade dos reis e rainhas. Ou como dizer: a nossa ida a Versalhes. Depois de um primeiro dia de passeio junto ao Sena (que passou num abrir e fechar de olhos) tinha guardado o segundo para irmos visitar Versalhes. Como vos havia referido, já que não tínhamos ido a Versalhes na primeira vez em Paris, esta segunda viagem serviria para, pelo menos, colmatar essa falha. Assim foi. Programámos ir a Versalhes mas não sem antes fazer algumas paragens importantes — que de outra forma seriam impossíveis de fazer — como subir até até à Basílica de Sacré Cœur e passar pelo Moulin Rouge.



A primeira noite foi maravilhosa. O Hotel era realmente muito bom e o pequeno almoço era magistral (falaremos dele em mais detalhe na última partilha desta série). Serviu perfeitamente para repor as energias da caminhada do dia anterior. Passavam poucos minutos das oito e estávamos já no metro em direcção à Sacré Cœur. Apesar de uma ou outra peripécia (perdemo-nos, por descuido, e em vez das duas paragens de metro que teríamos que fazer de Gare Du Nord até Pigalle [creio] fizemos umas vinte, para o outro lado...enfim!) chegámos ao destino e foi super fácil de encontrar o funicular que nos levaria lá a cima. Sim, porque estava a chover e o nosso passe de transportes englobava a subida do funicular. Poupou-nos uma subida de 300 degraus à chuva (e poupou-nos as pernas, senhores, as pernas!).


Chegados lá a cima, foi-nos fácil ignorar a enchente de turistas e possíveis carteiristas disfarçados, aglomerados em frente à Basílica. É que aquela vista é deslumbrante, de cortar a respiração. Mesmo num dia cinzento — e tivemos sorte, já que quando saímos do funicular a chuva deu-nos uma trégua — a cidade é linda. Ainda mais romântica diria. Ganhava agora uma tonalidade mais ténue, esbatida mais, ainda assim, tão impressionante.


O ritmo dos telhados, a sua sequência (quase) infinita. A vida parisiense que víamos, agora de cima, no despertar da manhã. O fumo que saía de algumas chaminés, os sons da cidade, os pássaros que por ela voam, do alto da sua liberdade e eu que os invejava: Paris nunca me tinha parecido tão bela. Fiquei mesmo fascinada com a vista e quase que admirei mais esta visão face à da Torre Eiffel.


Também da primeira vez em que estivemos em Paris não tínhamos passado pela Sacré Cœur. Há sempre uma ou outra (ou muitas) coisa(s) que fica por ver ou fazer nas minhas primeiras viagens. Servem, claro, para que queira lá voltar. Em Roma não cheguei a ver a Capela Sistina (imperdoável), em Madrid deixei por provar as tapas (ainda hoje não acredito), em Londres fiquei de lá voltar para ir ao pub mais antigo e à Westminster Abbey, na viagem aos Açores (para além de ter que visitar as restantes ilhas) fiquei de conhecer a Caldeira Velha [...] e aqui em Paris falhava a Basílica e Versalhes.


Não conseguimos entrar na Basílica. Afinal ainda tínhamos que fazer uma paragem rápida na estação de metro Blanche para ver o icónico Moulin Rouge e seguir em direcção a Versalhes. Também esta visita à Sacré Cœur ficou por completar numa próxima — e esperemos que breve — viagem a Paris.


Entramos novamente no funicular e seguimos em direcção à estação de metro. Numa outra circunstância, faríamos o trajecto a pé, em jeito de passeio. Mas a chuva voltava agora a cair sem piedade e (no fundo) já se fazia tarde. Comprámos umas sandes e uns refrescos para levar e comer no caminho de Versalhes. As sandes não eram nada de especial mas conseguiram disfarçar a fome que já se ia fazendo sentir.


Dois minutos. Foi o tempo que pudemos dispensar para ver — por forma — o famoso moinho vermelho. Relembrei todo o musical na minha cabeça e dei comigo a trolitar "come what may". Mas a chuva era tanta e abatia-se sobre nós com tanta violência que só nos foi possível mesmo contemplá-lo rapidamente. Também, verdade seja dia, não sei se nos deixariam entrar e um espectáculo no Moulin Rouge está, por agora, fora das nossas possibilidades.


Seguimos sem demoras até Versalhes. Foi fácil apanhar o comboio para lá e curiosamente demorou menos do que eu estava à espera. Algumas das carruagens estão até decoradas com imagens do palácio, não é um máximo?


[Em cima podem ver a saída do RER de Versalhes e um pormenor de uma carruagem do comboio].


Saídos do comboio, começámos a percorrer as ruas conforme as placas nos iam indicando o caminho. É certo que estava a chover, mas pensei que o metro fosse sair mesmo à porta do Palácio. Ainda tivemos que andar um pouquinho, mas depressa chegámos ao destino. Não havia como enganar.


Gerir a quantidade de máquinas nem sempre é tarefa fácil. Mas valeram-me os três pares de mãos-extra que levei comigo (um bem-haja à Sofia, ao Pedro e ao Miguel!). A minha Nikon, o Ipad (que fazia substituição do Iphone 6 que não pode ir em viagem) e a minha Instax Mini 8 que captura a beleza de Paris, como só ela sabe.


Posso desvendar mais uma dica do que não fazer que irá figurar no último artigo desta série, posso? Ora bem, se têm menos de 26 anos (por favor!) não vão para a fila da bilheteira. Se julgam que, apesar de não pagarem, têm que ir levantar um ticket de acesso para entrar no Palácio, desenganem-se. Podem dirigir-se directamente à entrada e apresentar o documento de identificação (bilhete de identidade ou cartão de cidadão). 

Não sejam como nós e poupem uma hora na fila.


Não vos consigo descrever a sensação de nos irmos aproximando do palácio. O primeiro impacto, ainda de longe, é que nos estamos a aproximar de algo espantosamente grande, sumptuoso. Quando na verdade nos chegamos mais perto, somos absolutamente absorvidos pela estrutura, pelo mármore, pelo dourado reluzente — mesmo num dia cinzento — e por todo aquele palácio megalómano, espelho de tempos luxuosos e do Rei Sol. 


Se o nosso espanto era grande no exterior do Palácio, conseguem imaginar a nossa cara quando entrámos, efectivamente, lá dentro. Meus Deus! — pensámos. E tenho quase a certeza que o verbalizámos. Pelo menos, a nossa visita foi pautada com um "Ah" ali, ou um "Oh" acolá.


O Palácio de Versalhes é, nada mais nada menos, do que o elogio da grandeza. Grandeza de um país, de um reinado, de um tempo de glória. É luxuoso, detentor de uma beleza única e magnífica, que vai deste a própria arquitectura do palácio, como as escadarias ou os tectos pintados, passando pelos mobiliário original, terminando nas peças de arte expostas, como quadros ou objectos de decoração.


Apesar da hora (desnecessária) na fila e dos muitos turistas que se podiam encontrar, tanto no exterior, como no interior do palácio, a verdade é que contava que estivesse com mais afluência. Não me interpretem mal: estava com muitos turistas (embora poucos selfie sticks — que controlaram bem à entrada) mas penso que, comparando com o choque da Torre Eiffel, por exemplo, estava muito tranquilo.


A visita ia-se fazendo em lento compasso, como se de um grupo grande se tratasse, visto que percorríamos os corredores e as salas do palácio ao mesmo ritmo que os restantes visitantes. A área de circulação não é muito grande e por isso acabamos por seguir todos um pouco uns atrás dos outros.


O passeio pelas salas e salões do Palácio de Versalhes foi marcante. Acho que nunca estivemos num espaço tão vistosos e impactante como este. Tudo ali é ornamentado, decorado, belo e repleto de luxúria.


Paredes forradas com tecidos coloridos, cortinas pesadas mas com grandes janelas que deixavam entrar a luz natural, tectos pintados, madeiras nobres, telas enormes e grande quadros em quase todas as paredes...


Mármores, loiças, vidros. Candeeiros, de tecto, suspensos, de chão, de mesa. Talha dourada, em todo o lado. Ornamentos florais, motivos animais. Tecidos raros, tapeçarias únicas. Adornos que simbolizavam a era dourada e a ostentação de um reinado do sol. 


Ficámos os quatro realmente impressionados. Os nosso olhos não conseguiam acreditar no que viam. Seria aquilo tudo real? Teriam mesmo vivido ali reis e rainhas, príncipes e princesas? Nós, pelo menos, (quase) que nos sentimos realeza.


Das salas mais bonitas, para além do quarto da Rainha — pelo qual fiquei apaixonada —temos a famosa Sala dos Espelhos. Tiramos algumas fotografias mas esta era, de longe, a sala com mais turistas, então acabámos por optar não publicar nenhuma fotografia do espaço, propriamente dito. Podem espreitar, em cima, dois pormenores.


A visita estava quase a terminar. Pelo menos para nós. Estávamos acordados desde as sete da manhã e desde então que andávamos a cirandar de um lado para o outro, na ânsia de absorver toda a essência da cidade, todo o encanto de Paris, todo o universo principesco de Versalhes.


Temos que regressar a Versalhes. Quanto antes! Esta foi outra constatação que pude fazer na altura. Ficou por visitar a biblioteca — sempre me fascinei por bibliotecas — e os jardins. É certo que o tempo não ajudou. Visitar os jardins à chuva não nos pareceu muito aliciante.


De qualquer das formas, a verdade é que já estávamos cansados e apetecia-nos parar um bocadinho. Ainda estávamos a digerir toda aquele luxo e exclusividade. Sentámo-nos na entrada e contemplámos o palácio, mais uma vez.


Despedimo-nos de Versalhes com uma certeza: voltaremos. Em breve. Muito em breve. Pelo menos antes de fazer os 26. Afinal pudemos conferir que, depois dos 26, o pagamento é feito todo parcelado. Ou seja, 15€ para ver o Palácio, mais 10€ para o Billet Château Grand Trianon et Domaine de Marie Antoinette, mais outro tanto para os jardins [...] enfim. É um bom pretexto para voltar em breve.


Se julgam que tínhamos dado o dia por terminado, desenganem-se. Havia mais uma paragem obrigatória que tínhamos que fazer antes de deitar. Passar nas Galerias Lafayette. 


Já conhecia este espaço que, por momentos, perpétua todo o luxo e sumptuosidade do Palácio de Versalhes, de outras andanças. Mas desta vez acabei por trazer de lá um souvenir, a título muito pessoal.


Adoro velas. Por isso não resisti e fiz uma rápida paragem pela Diptyque — andava a namorar os produtos deles há tanto tempo que era mesmo impossível não trazer uma comigo para Lisboa.


Continuámos o nosso passeio, agora sem destino marcado. Deambulámos um pouco pelas ruas vizinhas, admirámos o imponente Palais Garnier e a Place de L'Opéra. Vimos a luz desaparecer, aos poucos, difundindo-se nas fachadas bonitas dos edifícios.


A noite chegava aos poucos e trazia com ela uma doce fadiga, apenas apaziguada com a certeza de que no dia seguinte estaríamos na Disneyland. E não podíamos estar mais felizes.


Amanhã trazemo-vos uma sugestão de jantar, imperdível. Voltamos junto ao Sena e vamos comer uma pizza deliciosa. Sim, também se comem pizzas em Paris. Até amanhã!

Un bisou...

3 comentários

  1. uaaau, que post tão cuidado, eu basicamente diz a viagem contigo ahah belas fotografias, adorei

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    1. Tão querida, Diana! Obrigada pelas palavras! Amanhã vamos até à Disney *dança da felicidade*

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  2. Fiquei deslumbrada! Realmente deslumbrada com a beleza que captaste do palácio, Sara!
    E mesmo num dia cinzento e chuvoso a cidade parece tão romântica e mágica!

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