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VIEMOS DA ILHA #4

06 julho 2015

E já só pensamos em voltar. Faz hoje duas semanas que rumávamos os dois a São Miguel, numa viagem surpresa. E foi uma surpresa inesquecível. Nunca pensámos ser possível, mas São Miguel ficou com um grande pedacinho de nós e as saudades começam a apertar. A última semana foi a de regresso a Lisboa e como todos os regressos, fez-se de pressas e horários, numa tentativa esforçada de regressar à rotina, ao trabalho que ficou por fazer. A semana que passou fez-se de prazos e entregas, de muitos projectos e de muito trabalho. Nas horas vagas editávamos uma ou outra fotografia, na vã de esperança de conseguirmos partilhar o diário da nossa viagem aos Açores. Não conseguimos. Mas por isso hoje começamos esta semana com o relato e diário visual do nosso quarto (e último) dia na Ilha. Foi um dia bonito, que começou com um pequeno-almoço demorado e uma despedida saudosa do hotel que nos recebeu tão bem. Foi um dia passado em Ponta Delgada e trazemos da memória aquele almoço, naquele espaço pequenino e tão original, naquela esquina perdida em São Miguel. Relembramos ainda aquele lanche, naquela mercearia amorosa, naquela ruazinha apertada [...] vale a pena espreitar! 


Acordamos cedo (como, aliás, havíamos feito a estadia toda) para aproveitar o dia ao máximo. A manhã começou solarenga e convidativa ao passeio. Aproveitámos para nos despedir, com toda a pompa e circunstância, do Furnas Boutique Hotel — que nos recebeu como se fosse a nossa casa — sobre o qual falaremos numa próxima publicação, em mais detalhe, para que não vos falte informação alguma.


Deixámos a cidade de Ponta Delgada para ver no último dia. Tínhamos algumas horas antes do embarque e sabíamos de antemão o que gostaríamos de ver — e onde iríamos comer. Na lista de sítios a conhecer estava, sugestão do Rodrigo (como não podia deixar de ser), o 3/4. Aqui iríamos, segundo ele, comer o melhor hamburguer em bolo lêvedo. E não podia ter feito melhor sugestão!


O espaço era muito a minha cara e foi com um enorme (e sincero) sorriso que entrei no pequeno restaurante. O 3/4 é um bar, café e restaurante que tem também associado um hostel homónimo. Foi, sem dúvida, uma lufada de ar fresco e um verdadeiro deleite entrar no 3/4. Embora pequena, a sala era bem iluminada e decorada de forma engraçada; com mil e uma peças de outros tempos (e dos tempos de agora, também), cada uma com outras tantas histórias por contar. Mas o que mais me chamou a atenção foi a ilustração na parede mesmo em frente à entrada: super divertida e muito bem enquadrada. Dá mesmo vontade de entrar, mais que não seja para satisfazer a curiosidade de conhecer o espaço.


Passava pouco do meio-dia e meia e conseguimos uma mesa à entrada. Não tardava muito até o espaço estar completamente lotado. Aconselhamos por isso que cheguem cedinho ou então que façam reserva — e não será demais relembrar que o estabelecimento não tem multibanco. De qualquer das formas, nós estávamos mais do que avisados e pedimos sem hesitar: dois hamburgueres em bolo lêvedo, com queijo da ilha e ananás dos Açores. Para ele uma Munich (cerveja preta da ilha) e para mim, claro!, uma Kima (a minha bebida preferida, desde então).


Estava tudo uma delícia e se pudesse voltava já hoje, para repetir a dose. Foi uma despedida dolorosa mas sabíamos que tínhamos que continuar o passeio. O tempo com ele passa a voar. Ou será de mim? Bem, a verdade é que sinto que os minutos me escapam das mãos e por mais que os tente prender com toda a força do mundo, eles acabam por voar. Desaparecem num piscar de olhos e quando dou por mim faltavam menos de duas horas para o nosso voo. 


Fizemos uma breve paragem pelo Mercado de Ponta Delgada — vocês sabem o quando eu gosto de passear e fotografar os mercados. Já devem ter visto por aqui, ou por ali, ou talvez acolá. A verdade é que não podia voltar sem dar lá um saltinho. Apesar de já passar da hora de almoço ainda haviam muitas bancas a servir. Especialmente as de ananás — devia ter comprado aqui um para trazer para casa (são muito mais baratos do que, por exemplo, no aeroporto).


A próxima paragem era destino certo: o Louvre Michaelense. Já sabia que tinha que visitar esta pequena mercearia assim que li algures que iria abrir ao público no ínicio do mês de Junho. E assim foi! O espaço tinha aberto as suas portas ao público há pouco mais de duas semanas e nós já andávamos por lá a conhecer todos os detalhes bonitos (uma estreia tão atenta quanto esta, do primeiro dia).


A minha surpresa não foi o espaço ser bonito, tal como pensava; a minha surpresa foi o espaço ser muito mais do que aquilo que alguma vez imaginei. O Louvre Michaelense é um espaço amplo e delicadamente iluminado. Traz-nos de volta as tradições ancestrais, as receitas de outros tempos, as peças e vivências do antigamente. Recebe-nos num abraço apertado, sem grandes cerimónias, fazendo-nos sentir em casa. É quase como se fossemos netos daquelas paredes que nos acalmam na sua nostalgia.


Peças genuinamente antigas, misturadas com recriações dos dias de hoje. Linhas que se reinventam para nos lembrar os tempos de meninice, para nos trazer de novo o conforto da casa da avó. Louças, peças de decoração diversas, produtos biológicos, locais, regionais, nacionais e até alguns internacionais. Uma coisa é segura: a escolha é sempre de fiar, que no Louvre Michaelense apenas produtos de qualidade podemos encontrar.


Adoro detalhes. Aliás, percebe-se. E este espaço está repleto de detalhes únicos que não passam somente pelos produtos que a casa oferece. Passam pelas próprias estantes, pela madeira tosca e envelhecida, muito bem tratada. Passam pelo padrão de mosaico do chão, pela iluminação bem pensada, pela disposição dos produtos na bancada. Um local merecedor de ser visitado — e revisitado — mais que não seja para descobrir mais um detalhe!


O seu nome relembra-nos os pequenos bistrôs parisienses e os detalhes do seu interior quase nos poderiam levar a um chá em Londres. Mas a sua alma é portuguesa, disso podem ter a certeza! Produtos caseiros e uma grande oferta nacional, fazem desta mercearia um espaço sem igual.


Foi uma delícia, fotografar este espaço. Ainda mais gratificante foi poder trocar um ou dois dedos de conversa com a simpática senhora, que nos recebeu tão bem. Fiquei a saber que era uma das mentoras deste bonito projecto — só tenho pena de não me recordar do seu nome. Mas não me vou esquecer do sorriso com que nos recebeu, do entusiasmo com que partilhou a sua história e do brilho com que nos ofereceu uns biscoitinhos deliciosos, para a acompanhar o chá gelado, antes de partir para o aeroporto.


A derradeira despedida fez-se assim: entre um chá frio da casa e um (ou dois) biscoitinhos caseiros. Foi uma despedida silenciosa e um tanto ou quanto penosa. Como é que quatro dias passaram tão depressa? Junho, quinta-feira, 25. Foi o dia em que nos despedimos de São Miguel e prometemos voltar. Em breve, se possível. Sinto que ainda há tanto por explorar, por conhecer, por descobrir...


O céu estava agora repleto de nuvens e a chuva ainda nos ameaçou por momentos. Mas não podia deixar de captar alguns detalhes bonitos da cidade. Gostei muito de Ponta Delgada. Talvez por adorar a pedra utilizada na sua arquitectura. Sempre gostei muito destas paisagens citadinas pintadas de grandes contrastes, pretas e brancas, com os seus jardins floridos.


Chegou a hora. Fomos até ao Aeroporto com alguma margem de manobra. Tínhamos que entregar o carro e não sabíamos ao certo se nos tomaria muito tempo. Afinal até foi rápido e uma vez que o aeroporto é muito pequenino acabámos por entrar logo para a zona de partidas — a minha parte favorita se estiver em Lisboa, a pior de todas se estiver outro lado qualquer. 


São Miguel vai deixar muitas saudades. Há duas semanas atrás estávamos à procura do Restaurante da Associação Agrícola de São Miguel (podem ver a aventura aqui) e estávamos muito felizes. Hoje estamos de regresso a Lisboa e já só ansiamos pela próxima viagem: Paris. Até lá muito pode acontecer e uma coisa vos prometo: ainda falaremos outra vez de São Miguel.

11 comentários

  1. Que fotografias lindas e que invejinha *.*
    Beijinhos,
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  2. Que belas fotos! Ainda há pouco comi ananás de São Miguel que o meu mano trouxe para cá! :)

    Isa M., Tic Tac Living

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  3. Os teus post's fazem-me viajar!
    Descrições e fotografias fantásticas, como é habitual! :)

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  4. Que maravilha, fiquei com imensa vontade de ir aos Açores!

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  5. Essa mercearia faz-nos viajar no tempo, que sitio mais bonito !

    Carolina | 1495 M. acima do nível do mar

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  6. É lindo

    http://oshomensnaosaotodosiguais.blogspot.pt/

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  7. que fotos lindas que tu tiras por onde passas :)
    Tenho de ir aí um dia visitar, está visto!

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  8. As fotos são lindas, cada uma delas fez-me ficar com uma nostalgia enorme!
    Vou matar a saudade da minha terra em Agosto.
    Adorei o blog, um agradável achado.

    Beijos

    http://fromlisbonwithallmylovee.blogspot.pt/

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  9. Olá.
    Como natural e residente na ilha de São Miguel, só tenho a dizer que é linda a forma como fala e descreve a minha/nossa ilha. Palavras lindas, fotos maravilhosas, que me dão vontade de "fugir" do trabalho e perder-me algures neste PARAÍSO. Volte sempre. Muito obrigada.
    Maria

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  10. Adorei os post. Sou de São Miguel e estudo no Porto, e não me canso de dizer como as pessoas deviam ir visitar a minha ilha! Ficou muito feliz que tenha gostado, e nós micaelenses estamos sempre dispostos a receber de braços abertos quem vem de boa vontade! Volto para lá na próxima semana e infelizmente não conhecia o 3/4 e fiquei muito curiosa, poderia me dizer em que zona de Ponta Delgada fica? Qualquer coisa basta para saber me localizar. Obrigada

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