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VIEMOS DA ILHA #3

02 julho 2015

E trouxemos connosco lembranças eternas, que queremos partilhar — e relembrar. Desta vez são pedacinhos de nós que ficaram ali perdidos pelas Sete Cidades, pelas lagoas e com os seus tons únicos; ora verdes, ora azuis. São pormenores bonitos do nosso terceiro dia na Ilha de São Miguel. Hoje trazemos até vós um passeio pela Lagoa das Sete Cidades, pela Lagoa das Empanadas, por Mosteiros, pela Ferraria, pela Furnas, pelas Caldeiras e ainda um almoço tipicamente micaelense mais um jantar completamente inesperado.



O dia amanheceu bonito, com um céu azul profundo. Foi o dia perfeito para ir conhecer algumas das principais lagoas. Depois de um pequeno-almoço delicioso seguimos viagem até à outra ponta da ilha: Sete Cidades. 



Por muitos quilómetros que percorrêssemos de carro, a verdade é que nada nos dava mais prazer do que ir fazendo algumas paragens ao longo do caminho. As estradas têm vários pontos de interesse, onde podemos parar o carro e admirar as vistas magníficas. Outras das particularidades destas road trips pelas estradas açorianas são os vários imprevistos. E são sempre tão engraçados — e inesperados!


Começar a descer em direcção a Sete Cidades é uma sensação maravilhosa. Por momentos imaginamos que estamos noutro país, numa daqueles cenários de filme com paisagens indiscritíveis. A descida — por muito que custe crer — fez-se em silêncio e olhávamos ora para um lado ora para o outro, na ânsia de absorver toda aquela natureza, que se apresenta ainda tão virgem, tão intocável.


Mas se por um lado a paisagem estava ainda muito fiel à sua natureza, por outro este é um ponto de muito interesse turístico, pelo que acabámos por tropeçar em mais uns quantos (valentes) entusiastas. Já foi mais complicado de nos enamorarmos em silêncio pela vista maravilhosa; um selfie stick que surgia sem avisar, alguém que se empoleirava à destemido nos miradouros, um flash que atacava furiosamente quando menos se esperava [...] enfim, fomos descendo de carro até lá abaixo para conseguir ver de mais perto a Lagoa das Sete Cidades.


Melhor do que existirem vários pontos de observação ao longo da descida para a Lagoa, onde podemos encostar o carro e contemplar a sua magnificência, só mesmo o tom da lagoa. De um lado um azul imenso, do outro um verde lindo — reza a história que são lágrimas de uma princesa de olhos azuis e de um pastor de olhos verdes que, quando viram o seu amor condenado, choraram tanto que formaram estes dois lagos que nunca se viriam a unir, mas também jamais se separariam.


Lendas à parte, a verdade é que já estávamos na hora de almoço e tínhamos um sítio a conhecer na nossa lista de recomendações: Cais 20, situado em Ponta Delgada. Aqui iríamos comer as melhores cracas e lapas — assim nos informou o Rodrigo.


E mais uma vez, não nos deixou ficar mal. Chegámos passava pouco das 12h30 e fomos recebidos por um senhor muito simpático que rapidamente nos indicou uma mesa junto à janela. Pedimos sem hesitar: uma de cracas, uma de lapas fritinhas com alho, manteiga e limão, uma de búzios (não gostei muito de os comer assim, confesso; lembram-me caracóis — se gostam de caracóis vão gostar de búzios, tenho a certeza) e duas Especiais (cerveja de São Miguel).


Cracas e Lapas foram uma estreia, para mim. E adorei. As cracas são um marisco raro e delicioso, que em Portugal só se encontra nas ilhas. Têm gostinho a percebes e textura de sapateira. São um petisco dos deuses, meus senhores (mesmo que tenham pouco que se coma, são muito saborosos). As lapas, que também ainda não conhecia, foram uma agradável surpresa. Talvez pelo tempero, que estava magistral. Por toda a simpatia no atendimento, pela frescura do marisco e pela confecção, o Restaurante Cais 20 já merece outra visita, numa próxima ida a São Miguel.


Antes de embarcar para a Ferraria — para dar um mergulho nas águas quentes do oceano — resolvemos ir dar um pulo à Lagoa das Empanadas. Procurámos pela Lagoa do Canário mas (lá está!) o nosso amigo Google Maps não estava de feição. 


Demos com uma lagoa escondida por entre árvores e arbustos, sem qualquer indicação de que seja possível avistar de cima, sem qualquer miradouro ou ponto de referência. Adorei este espaço. Talvez por isso mesmo; não tinha ninguém, era escondido e pude observar, com calma, o ritmo próprio da natureza. Ainda conseguimos tirar algumas fotografias bonitas para rever daqui a uns anos e pensar no quão éramos jovens, apaixonados e perdidos de amores pelos encantos desta ilha.


Seguimos estrada fora em direcção a Mosteiros e depois rumo à Ferraria, através de uma das estradas mais estreitas e inclinadas que já percorri na minha vida.


Não sabíamos ao certo o que ver em Mosteiros então apenas parámos para beber um café e passear um pouco pela costa. A tarde já ia avançada e começávamos agora a sentir um vento ligeiro. À medida que nos aproximávamos da Ferraria este vento começava a ser tudo menos ligeiro. Lá percorremos a íngreme estrada de acesso e contávamos dar um mergulho na piscina natural da Ferraria.


Como no dia anterior tínhamos tido a nossa dose de termas, hoje queríamos experimentar a verdadeira sensação de se estar em pleno oceano mas numa água a 35º. Isto acontece porque a Ponta da Ferraria tem a sua origem em erupções vulcânicas primordiais e a água que se encontra sobre uma pseudo cratera vulcânica é aquecida por isso mesmo.


Mas nesta altura já o sol estava meio escondido e o vento começava a tornar-se desconfortável. Não ousámos entrar, com medo de não nos secarmos (o carro era alugado e não convinha arriscar). Ainda assim fora com os sapatos e já não era sem tempo de comprovar. Comprova-se: aquela água do mar é quente. Só me apetecia trazer um bocadinho para cá.


Não o fiz. Contentei-me em passear pelas rochas, inspirar a maresia, observar o que me rodeava. E enquanto o fazia, fazia-o com o sabor doce-amargo da despedida. Sabia que tínhamos que ir andando e aquela inspiração terminaria em breve, aquela onda que rebentava, no seu azul cristalino, seria a última que iria observar. Mas tinha que ser. Então regressámos para as Furnas, subindo pelo lado Norte.


Esta volta tem muito mais encanto e permite-nos ver a ilha do alto da nossa aventura. É um bocadinho maior mas vale a pena se for feito em registo disso mesmo: em jeito de passeio. Chegámos à Lagoa das Furnas, por fim, para poder ver o cair da noite naquela paisagem tão bonita. Não sei se ainda se paga para entrar no parque. Nós não pagámos, mas creio que já passavam das 18h; talvez por isso não estivesse no horário de cobrar o acesso.


Foi o cenário perfeito para terminar esta tarde de passeio. Perto de casa, com uma calma imensa, um lago sereno e uma paisagem linda. Depois disso só mesmo um momento de descanso na piscina e spa do Hotel — sobre o qual falaremos em mais detalhe — e um jantar bem descontraído e delicioso no À Terra, o restaurante do Furnas Boutique Hotel.


Embora também queira reservar um cantinho especial no artigo que irei publicar sobre o Furnas Boutique Hotel, a verdade é que este foi um jantar inesperado. Quando demos por nós, entre braçadas na piscina termal e um momento de relaxamento, eram quase 20h. Não queríamos correr o risco de ir à aventura mais 70km, como na noite anterior, por isso acabámos por fazer reserva de uma mesa para dois.


Já tinha adorado o espaço, que também serve de sala de pequenos-almoços e confesso que foi uma delícia fotografá-lo de manhã. Mas à noite tem sempre outro encanto. E a surpresa começa logo à chegada, quando reparamos na cookie que fazia a reserva da nossa mesa. Era uma cookie deliciosa, aromatizada e com um sabor a queijo muito bom. Eu adorei, ou não fosse eu uma adepta confessa de queijo. Todos os queijos. Dêem-me queijo e sou feliz.


Para entrada chega-nos à mesa, sempre no meio de uma enorme simpatia por parte dos funcionários (acho mesmo que nunca fomos tão bem recebidos!), umas fatias de bolo lêvedo torrado com manteiga e um patê muito bom.


Pedimos uma pizza para dividir pelos dois; chouriço, rúcula e ananás dos Açores — uma maravilha. Apetecia-nos algo mais leve, mais simples, mas não menos delicioso. As pizzas são cozinhadas no forno a lenha e os ingredientes são de óptima qualidade, muito frescos e saborosos. A combinação desta pizza era muito bem equilibrada: os sabores mais intensos e salgados do chouriço harmonizavam na perfeição com a doçura do ananás.


Para terminar — e porque nos demos ao luxo de guardar um espacinho para a sobremesa que nos tinha piscado o olho logo ao início — pedimos um trio de chocolate. Ainda hoje estou a tentar saber o que seriam aquelas nozinhas brancas: seria chocolate branco, leite condensado? Não sei, mas era divinal e fechámos com chave de ouro, esta refeição homérica.



Seguimos para cima, (des)cansados e já um pouco cabisbaixos. Afinal, porquê que teríamos que voltar para Lisboa? Mas não fiquem tristes. Amanhã voltamos com o relato do quarto e último dia na ilha. Fomos conhecer melhor Ponta Delgada e demos com um Louvre perdido ali pelo meio. Vão gostar de conhecer, prometo. Fiquem desse lado.

9 comentários

  1. As fotos estão fantásticas! Dá vontade de marcar já um voo!
    :)
    A aguardar ansiosamente o relato de Ponta Delgada!

    C.weetie - trends & other stuff

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  2. Bom dia Sara,

    Estou cada vez mais rendida a este teu cantinho. Amo cada foto, deliro com cada sugestão, devoro cada palavra que escreves... realmente ideias, sugestões e fotos que retratam coisas lindas, momentos deliciosos que nos dão vontade de entrar no ecrã do computador e vivencia-los.
    Já sou seguidora há imenso tempo deste blogue mas não me tenho manifestado muito.
    Desta vez não poderia deixar de passar por aqui e transmitir todo este meu espanto.

    Este relato da tua viagem pelos Açores está a deixar-me com aquele bichinho de querer ir já para lá.
    Já há algum tempo que pretendia ir aos Açores, e depois de ler este relato magnifico ainda me dá mais vontade.

    Quantos dias recomendas, será 4 dias suficientes? E já agora é aconselhavel viajar-se sozinha?

    Beijinhos e continua sempre assim, com este delicioso trabalho.

    Ana Matos
    Dona Delicia - Atelier de Sabores Blog

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  3. Não sei porquê mas o Açores nunca estiveram na minha lista, não tinha curiosidade. Mas ao ver as tuas fotos agora quero mesmo ir! :))))

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  4. que lindas fotografias. autênticos postais*

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  5. Que beleza, fotografias lindas e de meter inveja *.*
    Beijinhos,
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  6. Que fotos e relatos maravilhosos :) Vou guardar algumas dicas :)
    -
    Diogo Marques
    Blog: A culpa é das bolachas! | Facebook | Instagram
    -

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  7. Continuo a fascinar-me com as tuas fotos e com o jeito que tens de contar as tuas viagens. Adoro ! :)

    1495 M. acima do nível do mar

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  8. Para mim, que amo Natureza, verdes, e belas paisagens, os Açores são um destino obrigatório num futuro. : ) É de cortara respiração, mesmo!

    Love,
    sweetcamomile.blogspot.pt .

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  9. Sara, vamos amanha para S Miguel e viemos aqui recolher informações preciosas que nos vão ajudar a disfrutar melhor da Ilha. Obrigada pelo excelente trabalho bis
    Cristina Ramos

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