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Furnas Boutique Hotel

19 julho 2015

São Miguel, Açores. Ainda não fez um mês que fomos de viagem, mas parece que — no entretanto — já passou uma eternidade. Partimos os dois de Lisboa de mãos dadas, sorrisos largos, corações cheios. Não sabíamos (nem podíamos saber) que nos iríamos apaixonar por aquela ilha, de forma tão sincera e intensa. E agora, à luz da distância (que, pelos vistos, é muito mais curta do que aquela que a saudade faz crer) até consigo dizer que sinto falta da humidade cerrada, do clima inconstante, das estradas com curvas sem fim [...] a isto, meus caro, chama-se saudade. E hoje, num domingo caseiro, passado em registo familiar, recordamos o nosso passeio por São Miguel, numa tentativa de encerrar, com chave de ouro, o relato do diário dos nossos quatro dias de viagem.


À semelhança daquilo que fizemos na partilha da nossa viagem a Londres (que podem espreitar aqui), também quisemos mostrar o diário de cada dia da nossa ida a São Miguel (dia 1, dia 2, dia 3 e dia 4) e, por fim, fazer um conjunto de partilhas um pouco mais gerais, com dicas e conselhos. Por essa mesma razão, o artigo de hoje será especialmente dedicado a um dos hotéis que nos recebeu como se fosse uma segunda casa. Falo-vos pois do Furnas Boutique Hotel.


Furnas Boutique Hotel & Spa já havia sido "namorado" cá por casa. Foi pelo Natal, altura em reunimos a família toda, que se falou deste projecto. Os tios da Madeira afirmaram que eu, acima de todos, iria adorar a decoração do espaço, que ficou a cargo de Nini Andrade, designer de interiores premiada mundialmente. Curiosa como sou, fui de imediato explorar este projecto e desde então fiquei com um pensamento bem vincado: "tenho que ir conhecer o Furnas Boutique Hotel". Na altura, estava longe de imaginar que iria conhecê-lo muito bem breve.


Depois de uma noite passada em Ribeira Grande, rumámos até às Furnas. Depressa nos encantámos pela beleza de um lugar único — que foi, sem dúvida, o nosso preferido da ilha — e nos maravilhámos pela envolvente do Hotel. O dia tinha começado solarengo, pelo que foi fácil apaixonarmo-nos pelo Furnas Boutique Hotel. Rodeado de verde, em equilíbrio perfeito com a natureza, num interessante jogo de contrastes, é assim que o consigo descrever.


À entrada somos surpreendidos por uma dualidade de registos que tinham tudo para serem ambíguos e distantes. Pelo contrário, o jogo entre o antigo e o moderno, entre o passado e o presente, entre o homem e a natureza, entre as pedras frias e o calor dos têxteis, das luzes quentes [...] resulta na identidade ideal para este Design Hotel. 


A apreciação da doce melodia dos contrastes começa ainda nos jardins exteriores, frente à entrada do Hotel. Conseguimos identificar a traça história do edifício e a sua origem, ao mesmo tempo que apreciamos os detalhes actuais, dos materiais modernos.


A identidade do hotel continua muito bem definida, numa linha muito própria, agora no seu interior. O primeiro contacto com a recepção faz-se em silêncio, na ânsia de absorver toda a informação e todos os detalhes do espaço. Percebe-se claramente a forte presença de serviços terapêuticos, como a piscina de água férrea ou o spa do hotel.


No que diz respeito à decoração, conseguimos ver peças bem vinculadas à natureza selvagem da ilha, como a imagem da cascata impressa na parede, os troncos ou objectos de madeira. Cada espaço do hotel tem uma imagem muito própria, como poderão ver mais à frente, mas sempre em sintonia com a identidade do Furnas Boutique Hotel. Um dos aspectos que mais me agradou foi precisamente o jogo de contrastes dos vários materiais, como metais, cerâmicas, vidros, madeiras, vergas, cabedais, tecidos com padrões e texturas diversas — tudo isto apresentado num harmonia cromática que se mantinha muito neutra (preto, branco, tons neutros).


Fomos recebidos pelo Director do Hotel, Filipe Pacheco, com cordialidade e toda a simpatia, num tom muito informal e descontraído. Explicou-nos a história do Furnas Boutique Hotel, contextualizando-o dentro do grupo em que se insere (DHM - Discovery Hotel Management), e convidou-nos a explorar o hotel. Assim o fizemos.


É engraçado entrar no hotel. Em frente temos a recepção; cores claras, motivos naturais, frutas e infusões remetem-nos para um ambiente tranquilo, zen. Do lado direito temos uma zona de passagem, onde também se pode estar, com alguns produtos da terra em exposição, lembrando uma pequena mercearia — mas já lá vamos. Do lado esquerdo encontramos uma lounge agradável, que é onde está o bar do hotel. Aqui os elementos de decoração são vários e divertidos de apreciar, no global, pelo contraste entre o "assunto sério" e o "vamos dançar", pelas poltronas antigas e pelas cadeiras de design arrojado, pelas madeiras nobres que cobrem a parede de um lado, desafiando os vinis colocados na parede oposta.


Ficámos instalados no primeiro piso, pelo que a subida se fazia a pé. Óptima ideia: podíamos ver o hotel através das galerias abertas, dos corredores expostos através da luz natural, observando as linhas verticais e estruturais.


O pavimento do quarto já não era em pedra; estava forrado com uma alcatifa fofa e bem cuidada. Um extra de conforto aos quartos naturalmente confortáveis. A primeira reacção foi admirar a vista incrível do quarto. Não será difícil, de qualquer das formas, ter uma paisagem bonita para admirar em qualquer quarto, tendo em conta a localização privilegiada do hotel.


Quartos acolhedores, com janelas amplas (e uma paisagem linda!), decoração minimalista, onde o branco impera, somente pautado com elementos tom de cobre e algumas peças em preto.


Extremamente bem equipados, os quartos estão providos de casa de banho privativa (muito completa), um roupeiro generoso, cofre de segurança, minibar, televisão (com uma série de canais) e todo o conforto de um hotel de charme.


Adorei, como seria de esperar, este registo mais minimal, quase nórdico, muito simples mas super elegante. Fiquei apaixonada pelos candeeiros — são ou não são uma peça linda?


Um dos aspectos que mais me agradou foi o miminho deixado na cama, todas as manhãs, depois do quarto arrumado: um pedacinho de bolo — delicioso! — cortesia do restaurante À Terra.


Por falar nisso: depois de nos instalarmos, fomos conhecer o espaço do restaurante. Estava ansiosa por esse momento, pois já tinha ouvido falar muito bem do À Terra.


Regressamos ao imperativo dos tons da madeira, do cabedal, do ferro forjado, do cobre e do latão. Adorei a simplicidade da disposição da sala, que é bastante ampla. O ex libris do espaço é o forno a lenha, colocado por trás do balcão corrido, mesmo em frente à porta de entrada.



Adorei a zona principal do restaurante — a bancada corrida. Lembrou-me, por momentos, aqueles cenários idílicos das edições da Kinfolk ou do Cereal Guide. Impecavelmente bem decorado, este restaurante entrou rapidamente para o top dos 'restaurantes com a decoração mais original' de sempre.


Uma sinfonia de produtos e objectos expostos ao público, criava uma multiplicidade de pontos de interesse, que mereciam ser observados com o seu tempo.


Mais uma vez, o elogio aos produtos locais; um expositor marcava o centro da sala e exibia artigos regionais da Ilha de São Miguel, fazendo uma ode ao conceito do À Terra. É que neste restaurante procura-se evocar os tempos de outrora, a memória das refeições caseiras, com produtos da terra, saborosas e bem temperadas, cozinhas em forno de lenha. É um regresso nostálgico — e saboroso — ao passado e a carta apresenta-nos propostas muito interessantes, que prometem trazer os pratos de antigamente com um inesperado twist das técnicas modernas.


Uma das áreas que mais me agradou foi a esplanada. É o espaço contíguo ao restaurante, onde também se podem servir refeições ou simplesmente tomar um aperitivo antes de jantar ou um gin no final da noite.


Ainda em relação à zona de refeições do hotel, tenho que vos falar do pequeno-almoço. E que pequeno almoço...! Já é do conhecimento geral que eu adoro (mas adoro mesmo) pequenos-almoços; sobretudo os de hotel — especialmente aqueles que são bem caprichados. Pois bem, um dos melhores momentos do dia era mesmo o pequeno-almoço do Furnas Boutique Hotel. 


A bancada principal enchia-se, todas as manhãs, de várias delícias. Tantas que o difícil mesmo era escolher. Como nestas coisas não me faço de rogada acabo por comer por dois. Provo um bocadinho de tudo. E foi o que aconteceu nas duas manhãs de estadia. Nem quero imaginar [...] mas posso-vos garantir que seria igual se, em vez de duas noites, estivesse lá vinte.


Vários tipos de queijo (o meu paraíso!), carnes fumadas, pães diversos, especialidades folhadas, bolos caseiros, bacon e ovos acabadinhos de fazer, frutas variadas, cereais, muesli, iogurte grego natural, mel e compotas, chá, leite e café, sumos naturais (aquele sumo de ananás dos Açores...!) e infusões.


Um pequeno-almoço homérico. Aliás, foi um dos melhores pequenos-almoços de hotel que alguma vez tive a oportunidade de experimentar. Muito variado, nada aborrecido e super saboroso, com produtos de qualidade. Mas também, o selo de excelência é aplicado ao À Terra em geral. Ora senão, recordemos aquele jantar da nossa última noite em São Miguel. Lembram-se de ter lido sobre ele aqui?


Para além do À Terra, existem outras atracções de luxo neste hotel, como as piscinas e o centro de wellness e bem estar. A piscina exterior prima pela convivência directa com a paisagem e natureza. A piscina interior também, mas de outra forma. É abastecida com água férrea, permitindo usufruir de uma experiência termal única e rica.


A piscina termal interior, provida de um circuito activo, oferece uma experiência dinâmica e inesquecível aos seus utilizadores, levando-os numa viagem sensorial através das águas termais das Furnas.


Confesso que o que me cativou, numa primeira abordagem, foi mesmo o espaço em si. As ripas de madeira no exterior são um apontamento arquitectónico muito interessante, conferindo uma certa intimidade ao lugar mas sem ofuscar a harmonia simbiótica com o exterior e a paisagem envolvente.


A água é quente e convidativa, e se por um lado esta experiência aqui não me tinha aprazido, a da piscina interior do Furnas Boutique Hotel foi um prazer.


Experimentámos ainda um circuito sugerido, que incluíam a sauna e banho turco, a título de exemplo.


Não resisti e tive que ir espreitar o piso superior, onde se encontram o ginásio e o spa, com dez salas de tratamentos. A oferta vai desde Massagens, Tratamentos de corpo e rosto, Reflexologia, Esfoliações, “Floatbed” e “Shirodhara”, Duche Vichy e hidromassagem. No  centro de fitness  podemos ainda encontrar aulas mind body and soul.


Luz difusa, música ambiente, apontamentos decorativos e estímulos sensoriais remetem-nos para uma verdadeira viagem ao oriente. Também aqui a paleta principal recai nos tons neutros; preto, branco, cinza e muitos elementos naturais, como flores e madeiras.


Por fim, voltamo-nos a debruçar sobre a entrada do hotel. Há quem lhe chame lobby market. Porquê? Precisamente por se apresentar como um espaço polivalente, permitindo uma multiplicidade de vivências. Este espaço aberto contempla a recepção, um espaço de trabalho, uma zona de estar, outra de lazer e ainda uma pequena mercearia. Sim, leram bem: afinal de contas, quem é que resiste a levar um ou outro produto típico da ilha, como uma Kima ou uma Especial para o regresso a casa, ou ainda uma ou outra peça de assinatura À Terra?


Uma apresentação muito original, esta da mercearia de produtos locais situada à entrada (ou melhor dizendo, à saída) do hotel. É um olhar entusiasta, nutrido de uma simplicidade aconchegante que nos faz querer ver, conhecer, saber. Na decoração encontramos objectos transversais às épocas, novamente num jogo de contrastes brilhante.


Agora, uma 'eternidade' depois, só me apetece voltar ao Furnas Boutique Hotel. Mergulhar na piscina misteriosa, dormir numa cama maravilhosa, começar o dia com aquele pequeno-almoço de rainha, beber um gin na esplanada ou jantar no À Terra. E sentar-me neste sofá lindo, que tanto quis trazer comigo. 


Por agora ficam as saudade e a certeza de voltar — um dia! Gosto de saber que poderei rever esta aventura, através destas fotografias e deste (extenso) relato. Mas gosto mais de saber que vos pude inspirar ou aconselhar, de alguma forma. Se vão viajar para São Miguel e querem ter uma noite inesquecível têm mesmo que conhecer este espaço.

Visitem o site ou a página de facebook e informem-se melhor. Espero que tenham gostado!

4 comentários

  1. Looking forward to our stay there in a few weeks! :D

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  2. O espaço é muito bonito (e os meus olhos também esbarraram logo nos candeeiros). A imagem do À TERRA é muito ao meu gosto pessoal ♥ Como sempre, reportagem fotográfica muito completa :)

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  3. Belo lugar. Adorava poder voltar ao Açores.

    Isabel Sá
    http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

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