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viemos de londres #3

05 março 2015

Viemos de Londres com uma mão cheia de histórias para contar. Este é o relato do nosso terceiro dia de passeio pela cidade que nos encantou. E este artigo, meus amigos, não podia ser o apogeu de todos os contrastes da capital britânica. Tudo começou entre ruas floridas e casas tons pastel. E depois fomos andando, mais um pouco, para um mundo paralelo, uma cidade debaixo de terra — entre correntes, metal, botifarras e cabedal. Um quadro perfeito daquilo que tenho vindo a apregoar tanto por aqui: Londres é mesmo a cidade dos contrastes

Avisa-se que vem aí todo um intenso scroll down de coisas boas. O nosso passeio entre Notting Hill, Camden Town, British Museum e Lyceum Theatre revelou-se uma série de fotografias que gostávamos de partilhar convosco. Esperemos que gostem!


Neste terceiro dia confesso que já estávamos ambos muito cansados. Convenhamos que, para quem não está habituado a estas andanças no dia-a-dia, caminhar tantos quilómetros, durante tantas horas, cansa muito. Mas, lá está, quem corre (ou caminha) por gosto não cansa. Este terceiro dia amanheceu cinzento e um tanto ou quanto chuvoso. Nada que nos desanimasse; não havia cansaço nem nuvens carregadas que nos deitasse abaixo. Afinal, estávamos tão felizes.
E estávamos em Londres!


Começámos o dia em Notting Hill. Inicialmente, tínhamos previsto visitar este bairro no último dia, quinta feira. Ainda bem que não o fizemos. Ainda bem que ele sugeriu este passeio. De outra forma, não teríamos conseguido ir a Notting HillApanhámos o metro em Paddington, linha amarela (circle line). Duas estações depois, estávamos em Notting Hill Gate. E em pouco tempo estava a perder-me de amores por este bairro tão característico, tão bem falado, tão bonito.


Notting Hill é um bairro charmoso, com estilo vitoriano. As suas casas são bonitas e elegantes, interligam-se através dos seus traços clássicos e tons pastel. É um local colorido, florido, que vale a pena ser conhecido. O que mais me fascinou, para além dos tons maravilhosos que pintam as casas várias, foi a quantidade de detalhes e pormenores bonitos que encontrámos ao longo do nosso passeio. 


Não fomos a um sábado. Não, com muita pena minha (a nossa viagem foi de segunda a quinta). Ainda assim, não resistimos em espreitar algumas lojas de velharias e antiguidades, suspirando por voltar uma próxima vez, no verão — quem sabe? — e a um sábado, para conhecer o famoso mercado de Portobello Road.


Uma manhã passou, tranquilamente, de mãos dadas, num ritmo calmo de passeio. Sem grandes agitações, sem grandes confusões.

Mal sabíamos nós o que nos esperava à noite

Como havíamos tomado o pequeno almoço no hotel bem cedo (e desta vez o pedido não tinha sido tão completo como no primeiro dia — não estamos, de todo, habituados a feijão e salchichas de manhã), antes de apanhar o metro novamente fizemos uma paragem no Le Pain Quotidien de Notting Hill, mesmo junto à estação. 


Uma dose reforçada de energia, entre uma limonada de framboesa e um waffle belga, um expresso forte e dois dedos de conversa, continuámos passeio, rumo a Camden Town, com direito a uma breve paragem em King's Cross, só para nos rirmos um bocadinho com a plataforma 9 ¾ — ainda ponderámos seguir para Hogwarts mas [...] Camden estava à nossa espera. No entanto, nesta estação (e mais uma vez), tive a noção perfeita de como os britânicos conseguem ligar tão bem o passado e o presente, o antigo e o moderno, o ontem e hoje. O contraste entre a imponente estação, que data de 1852 (creio) e a estrutura arquitectónica recentemente inaugurada, resulta na perfeição.


Duas estações de metro depois, na linha preta (northern line), e estávamos em Camden Town. Tudo aquilo que havia imaginado. E mais. Muito mais ainda. É que Camden é enorme!


Ruas compridas, ornamentadas, cheias de vida. Músicas diferentes que se fazem ouvir, luzes frenéticas, gente que anda de um lado para o outro. É assim Camden Town, um mundo paralelo. Existem pequenas casas que são, na verdade, lojas de tudo e mais alguma coisa. As paredes parecem ganhar vida, vêm ter connosco. Existem ténis gigantes a surgir na fachada, aviões que planam sem nunca sair do sítio, que nos convidam a entrar. É uma surpresa (não tão) conhecida, Camden. Já imaginava que assim fosse, mas nunca imaginei que fosse tão grande e com tanto que ver e fazer. Adorei!


O sol começava agora a dar o ar de sua graça e eu não poderia estar mais feliz. Afinal, era o terceiro dia que lá estávamos e ainda não tínhamos apanhado chuva. Somos uns felizardos!


A maior atracção turística de Camden são os vários mercados. O Buck Market Street, o Stables Market, Camden Lock Village e Inverness Market Street. Podemos encontrar roupa, artigos de decoração, música, livros, acessórios, peças únicas e originais — vintage na verdadeira acepção da palavra. Podemos ainda encontrar várias ofertas de restauração, com as banquinhas de rua que servem de tudo um pouco, numa miscelânea colorida, aromatizada; ora de especiarias fortes, ora de açúcar e canela, ora a carnes e fumeiros, ora a fruta e coisas doces. 


Não tínhamos fome, então continuámos o nosso passeio por Camden Town. É nesta altura que me apercebo que este sítio é enorme e tem tanto para ver, para conhecer. Locais escondidos, recantos perdidos, lojas e lojinhas, cheias de personalidade. Pessoas diferentes, registos alternativos. Mas todas simpáticas. Fomos sempre muito bem recebidos, em todo o lado!


Continuámos até ao Stables Market, um mercado que se desenvolve debaixo de terra. Um pouco mais suturno mas, ainda assim, cheio de encanto. Parece quase tirado de um filme de magia, com cenários medievais e ornamentos que tais.


Agora já estávamos com fome. E estávamos também um pouco cansados. Eram quase 14h30 e resolvemos parar num pub pequenino, o Camden Eye. Gostámos muito destes british pubs. O ambiente é sempre acolhedor, a decoração é muito típica, a própria estrutura e arquitectura em nada se assemelham àquilo que temos aqui, pelo menos em Lisboa. Eram sempre uma boa opção para nós, quando não tínhamos nenhuma sugestão para almoçar. Este atraiu-nos pelo cheirinho a forno a lenha. 


Um almoço de pizza caseira, cozinhada em forno de lenha, acompanhada com duas cervejas deliciosas, que nos ficou por pouco mais de 15£/duas pessoas (verdade seja dita que as cervejas encarecem bastante a refeição, mas soube-nos pela vida!). Agora sim, estávamos prontos para seguir o nosso roteiro, rumo ao British Museum. 


O British Museum é lindo. E grande. Muito grande. Situa-se perto da estação de Tottenham Court Road, na mesma linha de metro de Camden Town (northern line) e é de entrada gratuita. É um dos principais monumentos culturais do país e um dos museus mais visitados do mundo. Tem um espólio incrível de peças de arte e objectos seculares. É a História da Humanidade, que salta dos livros de escola para as galerias do museu. É o contar de mais de (muitos) séculos de história, numa passada muda, imponente. Quase que chega a ser assustador. Assoberbados com toda a riqueza cultural e a própria arquitectura do museu, fomos vagueando com calma, entre outros tantos turistas apressados. Nesta altura, eu e ele, já não tínhamos pressa. Eram quase 16h e estávamos — realmente e assustadoramente — cansados. As nossas pernas estavam a matar-nos. Oh...


Tínhamos combinado que íriamos hoje jantar ao Jamie Oliver's Diner, no Soho — perto de Piccadilly Circus. Achávamos (ingenuamente) que ficaríamos perto do Lycem Theatre. É que já andávamos a falar em assistir ao musical The Lion King há muito tempo. Mal sabíamos nós que estávamos muito mal informados: é o que dá não fazer uma pequena investigação antes. Mas esta também é a parte gira das viagens: a sua imprevisibilidade


Saídos do British Museum, pensámos estar muito perto de Piccadilly. E estávamos, na verdade. Mas perdemo-nos. Andámos perdidos durante 5 minutos: já muito cansados das pernas. Andámos perdidos 15 minutos: já começávamos a falar menos. Andámos perdidos 30 minutos: já só conseguíamos verbalizar "ai", "ui". Andámos perdidos 45 minutos: já não andávamos, íamos de arrasto. Andámos perdidos 1 hora: já não éramos nós, éramos dois zombies. Até que...chegámos a Soho

Parámos várias vezes para ver os mapas de rua, parámos várias vezes para pedir informações a polícias e uma hora depois conseguimos chegar ao nosso ponto de referência. Bem, estar perdida em Oxford Street também não é assim tão mau!


Ei-lo: Jamie Oliver's Diner. Entrámos exaustos, doridos, esfomeados. E eram apenas 17h30! Pedimos, em jeito de súplica, que nos sentassem na mesinha do canto, com sofá para dois. E assim foi. Fomos maravilhosamente bem recebidos, com toda a pompa e circunstância britânica. Estávamos agora a recuperar do cansaço. 


Pedimos sem hesitações. Hoje queríamos tudo a que tínhamos direito. Uma Ipa para ele, uma cola gelada para mim. Umas barbecue pork ribs para entrada, que foi de imediato atacada. Dois beef burgers para continuar e uma (mega) fatia de lemon meringue pie para terminar. Ahh, que coisa boa. 


Entretanto, com calma, acedemos à internet do restaurante. Apenas para constatar que o Lyceum Theatre era em Covent Garden, o local por onde havíamos andado perdidos uma hora! Rimo-nos, claro, para não chorar. Queríamos mesmo muito ver o musical, mas não tínhamo comprado bilhete. A sessão era às 19h30 e já eram 18h30. Tínhamos terminado o nosso jantar em beleza e estávamos felizes. Resolvemos ir numa investida apressada até ao teatro, numa vã esperança de ainda conseguir bilhetes. Era agora ou nunca!


Entrámos no metro em Piccadilly Circus e saímos duas paragens depois, na estação de Covent Garden, linha azul (piccadilly line). 

Anotem: até Novembro a estação de Covent Garden estará apenas aberta para sair do metro, e não para entrar (foi isto que originou o nosso episódio insólito de "perdidos em Londres"). 

Saímos, efectivamente, em Covent Garden, a estação mais próxima do teatro. Mas (e há sempre um mas!) as escadas rolantes não estavam a funcionar, existindo apenas um elevador que nos levava à superfície. Conclusão? Mil pessoas à espera para subir no elevador. Como estávamos com pressa fomos, que nem dois super heróis, pelas escadas. Esquecemo-nos foi de ler a placa que dizia "197 degraus até à superfície". Se já estávamos exaustos destes três dias de caminhada, subir 200 degraus de uma escada em caracol foi o creme de la creme.


Chegámos ao Lyceum Theatre às 19h, com aspecto de quem parecia ter sobrevivido a um apocalipse; ofegantes e sem forças para falar. Nem as palavras em inglês queriam sair. Mas conseguimos! Dois bilhetes para o musical que há muito queríamos ver. Numa altura como aquela, confesso que nem ouvimos a explicação do senhor da bilheteira e acabámos por comprar os bilhetes mais caros disponíveis (£67,50/pessoa). Mas valeu a pena. Oh, se valeu! Valeu a pena a correria, os 200 degraus, a dor no joelho, os 93€ de bilhete. E valeu-me umas quantas lágrimas e fungadelas: o espectáculo é lindo, maravilhoso, único! Cenários, caracterização, as músicas, a orquestra, a percussão. Tudo perfeito! Só consegui agradecer-lhe — a ele — baixinho, pela paciência e carinho que teve comigo em toda a viagem. Estas duas horas de espectáculo foram o culminar perfeito de uma viagem que vai ficar para a eternidade. 


A vida nocturna na cidade vai-se fazendo sentir através das luzes, das silhuetas dos prédios e monumentos iluminados. Faz-se das vozes e dos mil e um dialectos. Faz-se do movimento dos muitos táxis e autocarros que circulam de noite. Faz-se das reuniões à porta dos teatros, na saída dos musicais que estão em cena pela cidade fora, dos pubs movimentados, do tilintar das canecas de cerveja. E para nós, aquela noite fez-se de um emocionado regresso à infância e de um cansaço saboroso. Fomos então para o hotel, que estávamos a precisar de recuperar forças para o último dia, o doloroso dia do regresso.

8 comentários

  1. Que vontade imensa de ir a Londres!

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  2. Fotos lindas - adorei!
    Queria so adicionar que a arquitectura em Notting Hill e' de estilo georgiano, e nao vitoriano :) x

    Rita
    http://heyrita.co.uk

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    1. Ritinha, olha que essa não sabia. Sempre achei que fosse vitoriana...mas depois fui confirmar e compreendo o porquê da confusão: são dois períodos muito próximos, em termos de tempo e estilo. Obrigada pela correção. De facto quando fiz a investigação para escrever sobre Paddington li que era um bairro georgiano pelo que só te posso agradecer o reparo! :)

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  3. Ah, que sorte, encontraram bons lugares para o espectáculo! Também quero muito ir ver esse musical e os Miseráveis, mas sempre que vejo na net não há lugares para as datas que quero :(

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    1. O truque é mesmo comprar antes e online, porque a brincar a brincar pagámos 90€ por bilhete. Claro que os lugares não poderiam ser melhores :)

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  4. Através da tua reportagem revivi momentos que passei em Londres. Adoro sempre regressar. Adorei tudo o que li e vi ;) Parabéns e felicidades

    Beijinhos,

    Cristina - Bimbyces da Cristina

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    1. Que coisa boa, ler o teu comentário:') obrigada Cristina!

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