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viemos de londres #2

03 março 2015

Viemos de Londres e trouxemos connosco memórias dos clichês mais bonitos de sempre. Com sotaque britânico, que tanto gosto, entre sorrisos e suspiros. Suspiramos por mais. Já temos saudades. Mas enquanto vamos e não vamos, na ânsia de voltar, deixamos aqui algumas memórias impressas que queremos partilhar.

Espreitem então o relato fotográfico daquele que foi o nosso segundo dia em Londres. E se foi um dia cheio. Em cheio.

Acordámos bem cedinho, já recuperados da viagem do dia anterior. Tomámos o pequeno almoço no hotel; um verdadeiro english breakfast. Ovos mexidos, salchichas, bacon, feijões, leite com café, sumo de laranja, muffins, torradinhas com manteiga e compota... uma delícia. Verdade seja dita que, neste primeiro pequeno almoço, pedimos tudo aquilo a que tínhamos direito. Afinal, íamos precisar de muita força para o dia.


Em Paddignton seguimos pela linha verde (disctrict line) e foram apenas sete paragens (mais ou menos 15 minutos) até chegarmos a Victoria. Queríamos sair em Victoria para poder aproveitar de melhor forma o passeio. Ver as ruas, respirar e absorver aquela manhã fria de terça feira, beber o nosso expresso. Saímos de mãos dadas e seguimos rumo ao Buckingham Palace.


É muito bonito, sim. Imponente, elegante, very british. Tal e qual o que havia imaginado. Mas, azar dos azares, nesse dia — por algum motivo que nunca chegámos a conhecer — não houve troca da guarda real, a maior atracção para nós, nesta altura do ano. 

Enfim; contentámo-nos com a envolvente e aproveitámos o facto de estarem muito poucos turistas divagando junto aos portões para observar o palácio com toda a atenção que lhe é devida. O Miguel ainda se deliciou com os Rolls Royce e todos esses modelos fancy de carros que tanto o fascinam. Quanto a mim? Bem, estava fascinada com o sol bonito que se estava a pôr. Em pleno mês de Fevereiro!


Continuámos pelo St. James Park e adorámos o jardim. Tanta vida e tanta tranquilidade, ao mesmo tempo. Um verdadeiro refúgio em pleno coração da cidade. E, claro está, o sol londrino fez com que o cenário ficasse ainda mais  mágico. 

Já havia dito que Londres, para mim, é uma cidade de contrastes. E aqui o sol quente de final de Fevereiro, que assinala a passada calma da primavera, contrastava com as árvores despidas de folhagem, os troncos crus e marcados pelo inverno. E é tão belo! 


Existem esquilos atrevidos, pássaros bonitos, patos, cisnes e gansos, gaivotas e corvos — muitos corvos! — numa harmonia deliciosa entre todos que por lá passavam — a correr ou em passeio, a sós ou acompanhados — e a natureza, de um dos parques que mais gostámos de visitar. 

Aos poucos íamos conseguindo ver o London Eye a espreitar. E isso só nos dava ânimo e vontade para continuar. E assim fizemos. 


Foi uma sensação maravilhosa, a de ver o famoso Big Ben pela primeira vez. Só a consigo assemelhar à sensação única que tive quando saí do metro em Roma e tropecei no Coliseu, ou ainda ao arrepio que senti quando saí da estação de metro e olhei para o castelo da Disneyland Paris pela primeira vez. São momentos únicos, que ficam gravados no coração. E, já agora, gravados também em fotografias bonita para ver e rever. Para sempre.


Como havíamos assumido que não nos esqueceríamos de nenhum clichê, o almoço para o dia teria que ser o famoso fish&chips. Abominável comê-lo no Algarve, como já vejo ser servido há anos e anos. Abominável de qualquer outra forma. Mas (oh well!), estávamos em Londres e é como o outro dizia: em Londres, sê londrino. E nós fomos. Sai uma de fish and chips com duas cervejas artesanais para a mesa do canto. 

Confesso que não fiquei fã — peixe frito não é bem o meu prato favorito. Mas soube bem e o pub era muito acolhedor, muito britânico, na verdadeira acepção da palavra. Escolhemos o The Silver Cross, em Westminster, pois queríamos continuar a explorar a zona depois de almoço.


Neste segundo dia de passeio tivemos chuva. Tivemos sol. Tivemos chuva e sol, ao mesmo tempo. Tivemos nuvens e céu azul. Choveu um pouquinho de manhã, antes de sairmos do hotel. Depois o céu manteve-se meio acinzentado, numa luta constante entre as nuvens (que se revelaram passageiras) e o sol. Tivemos, acima de tudo, muita sorte. Nós até pensávamos que iríamos apanhar neve, já que fomos em Fevereiro. Ainda assim, tivemos um dia lindo. 

Com direito a uma volta no London Eye (£21,50/pessoa — embora tenha visto mais barato online), um passeio no rio (£5/pessoa com o Oyster Card) até à Tower of London (£18,70/pessoa com desconto estudante).


Como levámos o nosso dinheiro todo em libras, deixávamos parte no hotel e outra levávamos connosco para o dia. Tínhamos feito uma estimativa, com base naquilo que havíamos visto na internet. Errado. Saí-nos o tiro pela culatra: é que os bilhetes para as atracções, quando comprados online, é inferior àquele que é praticado nas bilheteiras. Por isso, imaginem, se levámos connosco cerca de £70/pessoa, entre almoçar, London Eye, passeio de barco e entrada na Tower of London, acabávamos por exceder o plafon com a entrada na Westminster Abbey. Por isso tivemos que optar: acabámos por ir à Tower of London (com muita pena minha, que teria adorado ir à abadia — mas tem que haver cedências num passeio destes e, se no dia anterior ele tinha levado com uma valente dose de museus e história de arte, hoje era o dia de ela ver as armas e conhecer a história bélica)


Não se enganem pelo sol de fevereiro: estava um frio de rachar!

A Tower Bridge é lindíssima e nesta zona da cidade são ainda mais proeminentes os contrastes de Londres. As silhuetas das construções, que contrastam com o céu infinito. O medieval, a pedra, que contrasta com o moderno, com o vidro. E nada daquilo choca. Aliás, pouco importa. Tudo é bonito, tudo se interliga. É o passado e presente de mãos dadas. E isso, pelo que vi, o britânicos sabem fazê-lo muito bem.


A noite chegava rapidamente mas fiz questão de, no regresso, passar pelo Tate Modern. Fomos só de fugida, mas consegui ver o que me interessava. Picasso, Matisse, Bacon, Monet, Miró, Léger, Dalí...


Vimos ainda, da varanda da cafetaria do museu, o cair da noite. O manto de luzes que cobria calmamente a cidade. Valeu a pena o corre-corre até lá. Mais que não seja por este breve momento que me fez apaixonar (ainda mais) pela cidade.


Tínhamos acordado que hoje jantaríamos na Chinatown. Estávamos desejosos de nos sentar e provar um pato à Pequim. Estávamos — também — exaustos. Nem demos por eles, mas calcorreámos muitos e muitos quilómetros, subimos muitas escadas, estivemos muito tempo de pé. Eram 21h da noite e só queríamos descansar um bocadinho, beber uma bebida fresca, pousar as malas, os mapas. Descansar.


Deixei-o escolher o sítio para jantar, afinal, ele é que é o verdadeiro apreciador de pato. E ele escolheu, nada mais nada menos, do que o sítio com o aspecto menos decente de todos. Não é o que está em cima (antes fosse). Era um pequeno restaurante, numa pequena esquina, com os patinhos pendurados na montra. Lá bom aspecto tinham, os patinhos. Acabámos por pedir para levar, pois o restaurante estava cheio. Contudo, alguma coisa falhou na comunicação daqueles dois (ele e o senhor do restaurante, que falava inglês tão mal ou pior que nós). Quando saímos com o saco na mão, ainda a fumegar, andámos (e andámos, andámos) à procura de um banco, sem sucesso: os chineses não se sentam, está comprovado. 

Por fim encontrámos um pequeno templo (?) com uma mesa no meio, sem bancos, que foi o nosso restaurante romântico dessa noite. Nós, dois turistas esfomeados e, acima de tudo, exaustos, a comer de pé um pato que afinal tinha vindo inteiro — e que cortámos selvaticamente com as mãos. Todos lambuzados e se por momentos tínhamos tido vontade de matar um ao outro, depressa nos rimos da situação caricata. E nunca um pato à Pequim me soube tão bem.


No regresso a casa, apanhámos o metro em Piccadilly Circus. Estavámos francamente cansados mas amanhã ia ser um outro dia e as luzes deste (outro) clichê de Londres eram inebriantes, cativantes.


Amanhã, o nosso terceiro dia de passeio. Voltaremos a Notting Hill, Camden Town e a um musical muito especial. Vêm connosco?

15 comentários

  1. Sarinha, como sempre as tuas fotografias são magníficas. Senti-me a passear por Londres e a (re)ver tudo! Quando lá fui ainda as máquinas eram analógicas, por isso a quantidade de fotografias era bem menor, e agora a vê-las aqui, com as cores tão características da fotografia digital, fiquei ansiosa por lá voltar :) *

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    1. Mas que palavras tão carinhosas e motivadoras, linda Catarina! Obrigada por tudo, pelo apoio incondicional!

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  2. As tuas fotos estão incríveis ! Por acaso, está nos meus planos voltar a Londres este ano então ver estas fotos lindas só me dá vontade de voltar já amanhã :)

    Carolina | 1495 A.N.M

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    1. Sim, sim e quando fores...vou acompanhar tudo com muito amor e carinho. Obrigada pelas tuas palavras!

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  3. Hahaha!!! Fartei-me de rir com a história do pato! Muito bom! Para além das fotos deste post serem das mais lindas que já vi pelo teu blog (como é que isso ainda é possível?!), gostei muito da forma mais pormenorizada como contaste o dia que passaram. Porque a verdade é que durante as viagens há sempre coisas boas, coisas menos boas, cedências para não haver muita discussão. Tudo faz parte e é bom partilhar esses momentos. O que importa é que no fim tudo acaba bem e ainda nos rimos das situações caricatas.

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  4. Ohhh... fotografias mais-do-que-perfeitas. Adorei. Adorei. Adorei. E de repente deu uma saudade de Londres e de voltar para lá. Já.

    http://noz-moscada.blogs.sapo.pt

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  5. Que belo e atarefado dia, mal posso esperar pela minha ida a Londres (pela segunda vez, matar saudades)! Ri-me imenso com o episódio do pato à Pequim, hilariante!

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  6. ena que post incrível! e adoro as fotos, estão lindíssimas :)

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  7. Que sonho de viagem!! Adorava mesmo muito também ter a oportunidade de ir em Londres :) Gostei do post!

    gloriapereira95.blogspot.ch

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  8. Adorei ver a minha cidade tao bem retratada :) Fico muito contente por teres gostado da estadia! As fotos tao absolutamente lindas x

    Rita
    http://heyrita.co.uk

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  9. Adorei as tuas fotos, engraçado como a cidade parece diferente quando vista através de uma objectiva :) E gosto mesmo muito da forma como captas as coisas! Estou inspiradíssima para ter umas fotos tão giras como tu :)
    Estiveste muito tempo na fila do London Eye? É aquilo que mais me preocupa no meu plano, a última vez que lá fui estive imenso tempo para levantar os bilhetes e depois para entrar, não queria perder horas preciosas quando fizer de guia... Mas acho que deve ser um bocado imprevisível...

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  10. Que fotos lindas! Parece ter sido maravilhoso! :)

    Isa M., Tic Tac Living

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  11. Tens fotos lindas! Fiquei com uma vontade de voltar a fazer uma visitinha a Londres :)

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  12. Fotos maravilhosas. Podias me dizer qual a tua maquina fotográfica?

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